Uma mudança na alimentação por apenas quatro semanas pode impactar indicadores ligados ao envelhecimento do organismo. É o que sugere um estudo da Universidade de Sydney, na Austrália, que analisou como diferentes tipos de dietas influenciam a chamada idade biológica em pessoas mais velhas.

Embora o passar do tempo seja inevitável, o envelhecimento não acontece da mesma forma para todos. Enquanto a idade cronológica avança no mesmo ritmo, a idade biológica pode variar de acordo com fatores como genética, ambiente e estilo de vida, especialmente a alimentação.

O estudo, publicado na revista Aging Cell em 27 de abril, aponta que ajustes na dieta podem melhorar, em pouco tempo, marcadores associados à saúde e ao envelhecimento celular.

“É muito cedo para afirmar categoricamente que mudanças específicas na dieta prolongarão a vida. Mas esta pesquisa oferece um indício precoce dos potenciais benefícios das mudanças alimentares mais tarde na vida”, diz a pesquisadora Caitlin Andrews, primeira autora do trabalho, em comunicado.

Como a dieta foi testada

Os pesquisadores utilizaram dados de um ensaio clínico com pessoas entre 65 e 75 anos. Durante quatro semanas, os participantes seguiram dietas específicas, com todas as refeições fornecidas pela equipe do estudo.

Ao todo, foram testados quatro padrões alimentares, que combinavam diferentes proporções de gorduras e carboidratos, além de fontes de proteína animal e vegetal. Algumas dietas eram onívoras, com consumo equilibrado entre proteínas de origem animal e vegetal. Outras priorizavam alimentos de origem vegetal.

Para medir os efeitos dessas mudanças, os cientistas analisaram 20 biomarcadores, como pressão arterial, níveis de colesterol, insulina e proteína C-reativa, substância ligada à inflamação. Esses dados foram usados para estimar a idade biológica dos participantes.

Resultados em poucas semanas

Os resultados mostraram que três das quatro dietas testadas levaram à redução da idade biológica em apenas um mês. A única que não apresentou mudanças relevantes foi a mais parecida com o padrão alimentar que os participantes seguiam antes do estudo, caracterizada por maior consumo de gordura e açúcar.

Entre as dietas que trouxeram benefícios, a que combinava maior ingestão de carboidratos com fontes equilibradas de proteína teve o efeito mais consistente na melhora dos marcadores.

Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores destacam que ainda não é possível afirmar se essas mudanças terão impacto duradouro na saúde.

“São necessárias mudanças alimentares a longo prazo para avaliar se essas alterações reduzem o risco de doenças relacionadas à idade”, afirma o pesquisador Alistair Senior, que também participou do estudo.

O que ainda falta entender

Os autores reforçam que os dados são iniciais e que mais estudos precisam ser feitos para confirmar os efeitos ao longo do tempo e em diferentes populações. A expectativa é que pesquisas futuras ajudem a esclarecer se essas melhorias observadas em curto prazo podem, de fato, se traduzir em mais qualidade de vida e envelhecimento mais saudável.

Ainda assim, os resultados indicam que mudanças na alimentação, mesmo em idades mais avançadas, podem trazer benefícios mensuráveis em um período relativamente curto.



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