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A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, voltou a ser assunto nas rodas de poder em Brasília. Lideranças políticas influentes, algumas delas muito próximas ao presidente da República, voltaram recentemente a se queixar da dificuldade de falar com Lula.
Um senador da base governista reclama que o presidente não recebe mais amigos e aliados no Palácio da Alvorada como fazia antigamente porque Janja teria imposto certas limitações ao presidente.
Para esse parlamentar, ao dificultar o acesso de alguns políticos ao Planalto e ao Alvorada, a primeira-dama tem deixado o presidente distante das articulações políticas , o que estaria resultando em derrotas do governo em votações importantes no Congresso Nacional.
O senador deu um exemplo. Segundo ele, alguns membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) passaram três meses esperando por uma audiência com o presidente, apesar dos sucessivos pedidos.
Nessa época o colegiado tinha em mãos um assunto caro ao governo: a indicação do advogado-Geral da União Jorge Messias ao posto de ministro Supremo Tribunal Federal (STF).
Messias, como se sabe, teve o seu nome rejeitado pelo plenário do Senado — uma derrota política surpreendente e histórica para o Planalto. O vexame, de acordo com o parlamentar, poderia ter sido evitado.
“Lula ficou isolado. Como pode dar certo um presidente que não conversa com senadores e deputados? Tenho vários colegas que reclamam disso e vivem me pedindo para conseguir uma agenda com ele”, ressalta o parlamentar, sob a condição de anonimato, lembrando que há projetos importantes de interesse do Planalto que ainda serão votados antes das eleições.
A primeira-dama tem um gabinete próprio no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde despacha e se reúne com autoridades, atuando como uma espécie de autoridade sem cargo. O tamanho de sua influência no governo gera reclamações até mesmo entre os principais auxiliares do presidente desde o início do terceiro mandato.