Era uma vez o primogênito de um bandido condenado e preso pela mais alta Corte de Justiça do Brasil, um tal de Jair Messias Bolsonaro, no passado expulso do Exército por planejar atentados à bomba a quartéis do Rio de Janeiro. Tal pai, tal filho; assim eram os dois. Com a diferença de que o pai tinha carisma e, por um desses acidentes da História, elegeu-se presidente da República para, em seguida, ser derrotado. Flávio nunca teve carisma, tampouco ideias. Mas, apesar disso, foi o escolhido pelo pai para devolver a família ao poder.

No dia em que se apresentou aos brasileiros como aspirante aos votos do pai, Flávio foi logo avisando que poderia retirar sua candidatura, desde que houvesse uma contrapartida. Qual seria? Ele estabeleceu o preço: a aprovação pelo Congresso de uma anistia ampla, geral e irrestrita que beneficiasse seu pai e os demais golpistas do 8 de janeiro de 2023. “Espero que a gente paute esta semana a anistia. Espero que os presidentes da Câmara e do Senado cumpram o que prometeram, que pautem a anistia, e deixem o pau cantar no voto no plenário – que é o que a gente sempre quis”, disse ele.

Pegou muito mal para Flávio. Sua candidatura pareceu de mentirinha, nada mais que um instrumento de barganha. O que o obrigou a corrigir-se de forma confusa: o termo “um preço” se referia estritamente à “justiça” e à liberdade política do seu pai, negando qualquer tipo de negociação financeira ou comercial que pudesse levá-lo a desistir de se candidatar. Só o faria para dar lugar ao seu pai e a mais ninguém. Foi um mau começo, do qual Flávio jamais se recuperou totalmente, apesar de ter crescido nas pesquisas de intenção de voto a ponto de empatar com Lula.

Custou algum tempo para que os políticos passassem a vê-lo como um candidato – quem sabe? – capaz de se eleger. Agora, com a descoberta de suas ligações com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, de quem ele tomou uma fortuna para financiar o filme de exaltação ao seu pai, o tempo está passando rápido e joga contra as pretensões de Flávio. É uma mentira, ou mais de uma por dia, que sai da boca de Flávio, em estado de desespero. Pego mentindo, sua credibilidade, que já era rala, esvai-se rapidamente. Atingiram o ponto máximo a perplexidade dos seus aliados e o entusiasmo dos adversários.

O que mais está por vir? Novos registros dos seus encontros às escondidas com Vorcaro? O próprio Flávio sugere que sim: “Podem vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme. Então, não tem nada a esconder. Então, não vai ter surpresinha”. Não, não terá. Depois de ficar rouco de tanto repetir que nunca foi próximo de Vorcaro, que mal o conhecia, entende-se por que Flávio o tratava como “irmão”. Entende-se por que Flávio, em certa ocasião, escreveu para Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”

A Polícia Federal quer saber se os 61 milhões de dólares doados por Vorcaro para a produção do filme não serviram também para a manutenção de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio jura que não; Eduardo, idem. Ontem, o site The Intercept Brasil publicou documentos que mostram que Eduardo assinou um contrato como produtor-executivo do filme. A cada nova mentira que vem à luz, uma nova justificativa. Flávio não conta toda a história de uma vez pelo simples fato de que ela é muito feia e poderia enterrar sua candidatura.

 

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