O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), usou o caso da família de uma criança com doença rara para fazer críticas à Anvisa sob o governo Lula.
Durante discurso em evento em Sorocaba, no interior de São Paulo, neste sábado (16/5), Flávio deu o microfone para a mãe de uma criança de seis anos que sofre de distrofia muscular de Duchenne (DMD). A família conseguiu na Justiça o direito ao tratamento, que custa R$ 17 milhões. De acordo com a mãe de Arthur Jordão, a Anvisa não tem liberado a medicação.
“A Anvisa não se manifesta, ela demora dez meses para responder se a medicação pode fazer efeito. A gente não tem com quem falar, e eles (Anvisa) estão estudando. Enquanto meu filho perde músculos todos os dias”, disse a mãe do menino.
Em julho de 2025, o órgão suspendeu temporariamente a venda e o uso da medicação Elevidys, usada para tratar a doença, diante de informações internacionais relacionadas a eventos graves de insuficiência hepática aguda, o que incluiu casos fatais após a administração do medicamento.
“Quero aproveitar e pedir à Anvisa: acelere a liberação desse medicamento. Autorize logo a entrada desse medicamento aqui no Brasil. Gastou R$ 1,4 bilhão no cartão corporativo e não quer pagar R$ 17 milhões num remédio para salvar uma vida?”, disse Flávio, durante evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP) ao Senado.
Anvisa x Bolsonarismo
O órgão de vigilância sanitária tem sido alvo de ataques de bolsonaristas nas últimas semanas em meio ao caso da suspensão de parte dos produtos da marca Ypê, devido a uma contaminação.
Os donos da marca foram doadores de campanha de Jair Bolsonaro (PL), o que fez com que apoiadores e políticos aliados do ex-presidente passassem a acusar a Anvisa de promover perseguição política.
Embora o atual presidente do órgão tenha sido indicado por Lula, o diretor responsável pela suspensão dos produtos foi indicado por Bolsonaro, de acordo com o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).
A richa entre bolsonaristas e a Anvisa remete aos tempos da pandemia, quando Bolsonaro passou a critica a agência especialmente quando foi dado o aval para a vacinação contra a Covid em crianças de 5 a 11 anos de idade.













