O arquiteto Gabriel Rosa, que sofreu racismo durante uma mostra de arquitetura e design de interiores da Casacor, em São Paulo, em 25 de julho de 2025, vai receber uma indenização de R$ 32,4 mil da autora do crime.
Na data, Gabriel estava com alguns visitantes do evento quando foi abordado por Aura Cid Lopes Florido Ferreira de Britto, que perguntou se ele realmente era arquiteto e começou, de modo imediato, a fazer comentários racistas, alegando que não faz consultas com médicos pretos “desde que abriram essas cotas.”
Ao Ministério Público de São Paulo, Aura afirmou que disse à Gabriel “que era moradora da cidade do Rio de Janeiro e que, onde morava, costumava ver pretos pobres andando pelas ruas como se fossem realeza”. O arquiteto era um dos profissionais participantes da Casacor do ano passado.
Para registrar a situação, o arquiteto gravou um vídeo dos comentários da mulher. Veja abaixo:
Aura confessou de maneira formal e circunstancial que proferiu as falas racistas que foram gravadas pelo arquiteto. Ela firmou um ANPP (Acordo de Não Persecução Penal) com o Ministério Público e concordou em pagar a indenização em 24 vezes.
Além do pagamento, veja outras medidas em que a mulher se comprometeu com o MP:
- Assistir ao curso “Coleção Antirracista – Organização ‘Olhar Imaginário’” em 60 dias, com obrigatoriedade de responder questionários sobre o conteúdo do curso;
- Doar livros novos para a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania no valor mínimo de 10 salários-mínimos (R$ 16,2 mil)
- Prestação de serviços comunitários a serem especificados na execução, pelo prazo de 180 horas
Caso descumpra o acordo e não apresente justificativa, Aura poderá ser denunciada pelo Ministério Público pelo crime.
Gabriel relatou à CNN Brasil que sente alívio com a decisão. “Vencer isso não é uma vitória só minha, é também uma movimentação para que outras pessoas que já passaram ou vão passar por coisas horríveis como essa“, afirma o arquiteto.