
A reunião de dois dias dos chanceleres do Brics em Nova Délhi, capital da Índia, chegou ao fim nesta sexta-feira, 15, sem uma declaração conjunta, reflexo das discordâncias dentro do bloco sobre a guerra no Irã. O Brics é composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos.
Na véspera, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, instou os países-membros da condenarem os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país, ao mesmo tempo em que acusou os Emirados Árabes Unidos de envolvimento direto nas operações militares. Ele também afirmou que Teerã é “vítima de expansionismo ilegal e belicismo” e pediu resistência à “hegemonia ocidental”.
“Irã conclama os membros do Brics e toda a comunidade internacional responsável a condenarem explicitamente as violações do direito internacional cometidas pelos Estados Unidos e Israel”, disse o ministro.
Na declaração final do encontro, a presidência do bloco, ocupada pela Índia, indicou que “havia opiniões divergentes entre alguns membros em relação à situação na região da Ásia Ocidental/Oriente Médio”. Os países expressaram suas posições nacionais, com preocupações variadas, de acordo com o documento.
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As negociações também abordaram a necessidade de respeitar o direito internacional e do comércio marítimo seguro, em referência ao Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada desde 28 de fevereiro. O comunicado reiterou, ainda, que os diplomatas do Brics “recordaram que a Faixa de Gaza é parte inseparável do Território Palestino Ocupado”, destacando o direito do povo palestino à autodeterminação e a um Estado independente.
Araqchi afirmou nesta sexta, sem citar os Emirados, que não tem “nenhum problema com esse país em particular”, acrescentando: “Eles não têm sido nosso alvo na guerra atual. Atacamos apenas bases e instalações militares americanas que, infelizmente, estão no território deles. O ministro disse que tem esperança de que o panorama mude no próximo encontro do Brics e que as nações “cheguem a um bom entendimento de que o Irã é um vizinho, que temos que conviver, que convivemos há séculos e que teremos que conviver pelos séculos que virão”.