Os Estados Unidos classificaram como “produtivas e positivas” as conversas entre Israel e Líbano realizadas em Washington nesta quinta-feira (14).

Uma autoridade do Departamento de Estado afirmou que novas discussões com o objetivo de encerrar o conflito continuarão na sexta-feira (15).

Uma autoridade libanesa de alto escalão disse anteriormente que o Líbano vai exigir que Israel cesse fogo enquanto as forças israelenses e o Hezbollah continuavam trocando ataques mesmo com a trégua apoiada pelos Estados Unidos.

Um porta-voz do governo israelense afirmou que as conversas estavam ocorrendo com o objetivo de desarmar o Hezbollah e alcançar um acordo de paz.

Uma autoridade do Departamento de Estado disse que a reunião entre enviados libaneses e israelenses, junto com autoridades americanas, começou por volta das 9h no horário de Washington (10h pelo horário de Brasília) e se estendeu por horas.

A autoridade americana afirmou que houve “um dia inteiro de conversas produtivas e positivas” nesta quinta-feira, que continuarão na sexta-feira.

As conversas representam o terceiro encontro entre os lados desde que Israel intensificou os ataques aéreos contra o Líbano após o Hezbollah lançar mísseis contra Israel em 2 de março, em retaliação pela morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. No mês passado, Israel ampliou também sua invasão terrestre ao sul do Líbano.

O governo libanês está participando das negociações apesar da forte objeção do Hezbollah, grupo xiita muçulmano.

Travada paralelamente ao conflito entre EUA e Irã, a guerra de Israel no Líbano continua desde que o presidente americano Donald Trump declarou um cessar-fogo em 16 de abril. As hostilidades, no entanto, ficaram em grande parte restritas ao sul do Líbano desde então.

O frágil cessar-fogo deve expirar no domingo.

Com o Ministério da Saúde do Líbano informando que 22 pessoas morreram em ataques israelenses na quarta-feira, incluindo oito crianças, a autoridade libanesa disse que a delegação do país buscará “um cessar-fogo que Israel implemente”.

O Exército israelense afirmou que um drone explosivo lançado pelo Hezbollah caiu em território israelense perto da fronteira e feriu vários civis israelenses.

Israel manteve tropas em uma zona de segurança autodeclarada no sul do Líbano, dizendo que isso visa proteger o norte de Israel contra ataques do Hezbollah, que lançou centenas de foguetes e drones durante a guerra.

O Exército israelense afirmou ter realizado uma nova onda de ataques contra posições do Hezbollah no sul do Líbano nesta quinta-feira.

Enquanto o grupo libanês afirmou ter realizado 17 ataques contra tropas israelenses na quarta-feira.

Líbano e Israel ampliam delegações

A decisão do presidente libanês Joseph Aoun de prosseguir com as conversas reflete profundas divisões no Líbano em relação ao Hezbollah, fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982. O governo de Beirute busca o desarmamento do grupo desde o ano passado.

Quando o cessar-fogo de 16 de abril foi anunciado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o desarmamento do Hezbollah seria uma exigência fundamental nas negociações de paz com o Líbano.

As reuniões em Washington marcam o contato de mais alto nível entre Líbano e Israel em décadas.

Tanto o Líbano quanto Israel estão ampliando suas delegações nesta rodada, depois de os lados terem sido representados por seus embaixadores em Washington nos dois encontros anteriores.

O enviado especial presidencial libanês Simon Karam e o vice-conselheiro de segurança nacional de Israel, Yossi Draznin, participaram das conversas, assim como altos representantes militares israelenses, disse uma autoridade do Departamento de Estado.

As conversas mediadas pelos EUA entre Líbano e Israel surgiram paralelamente à diplomacia voltada para encerrar o conflito entre EUA e Irã.

O regime iraniano afirmou que o fim da guerra de Israel no Líbano é uma de suas exigências para um acordo mais amplo sobre o conflito.

Trump sediou o último encontro entre os embaixadores libanês e israelense em Washington no Salão Oval, dizendo na ocasião que esperava receber Netanyahu e Aoun em um futuro próximo, e que via “uma grande chance” de os países alcançarem um acordo de paz ainda este ano.

Aoun afirmou posteriormente que o momento não era adequado para uma reunião com Netanyahu, e que o Líbano primeiro precisava garantir “um acordo de segurança e o fim dos ataques israelenses, antes de levantarmos a questão de uma reunião entre nós”.

O primeiro-ministro libanês Nawaf Salam, em entrevista de 10 de maio à emissora pan-árabe Al Arabiya, disse que os princípios do Líbano nas negociações eram reforçar o cessar-fogo, garantir um cronograma para a retirada israelense e obter a libertação de prisioneiros libaneses mantidos por Israel.

O Ministério da Saúde do Líbano afirma que os ataques israelenses mataram 2.896 pessoas no país desde 2 de março, incluindo 589 mulheres, crianças e profissionais de saúde.

Cerca de 1,2 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas no Líbano, muitas delas fugindo do sul do país.

Israel afirma que 17 de seus soldados morreram no sul do Líbano, além de dois civis no norte de Israel.



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