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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que Tel Aviv controla 60% da Faixa de Gaza, porcentagem que excede a área prevista no frágil acordo de cessar-fogo com o Hamas. De acordo com informações divulgadas pelo jornal israelense Haaretz nesta sexta-feira, 15, o premiê teria manifestado publicamente a infração do tratado em um evento oficial.
“Hoje controlamos 60% da Faixa de Gaza”, supostamente afirmou Netanyahu, durante uma cerimônia que marcava o aniversário da ocupação em Jerusalém Oriental.
Mediado pelos Estados Unidos e firmado após dois anos de guerra, o acordo de cessar-fogo de 2023 entre Israel e Hamas previa uma saída progressiva do exército israelense de Gaza. Inicialmente, Tel Aviv manteria o controle de 53% do território, pouco a pouco reduzindo sua presença, em troca da chegada de uma força internacional de segurança. As fronteiras temporárias foram demarcadas pela chamada “linha amarela”.
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No entanto, em meio às dificuldades para avançar nas etapas seguintes do plano de paz idealizado por Donald Trump, Israel fez o caminho inverso: ao invés de reduzir o território sob seu controle, ampliou sua presença lentamente para além da linha amarela. Segundo o Haaretz, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) têm se expandido progressivamente para o oeste, reduzindo ainda mais o limitado espaço de moradia disponível para os palestinos em Gaza.
“Durante os avanços, pessoas deslocadas que estavam próximas à nova fronteira viraram alvos”, disse o palestino Faiq al-Sakani, 37, ao jornal britânico The Guardian.
Em entrevista à agência de notícias turca Anadolu, Bassem Naim, alto funcionário do gabinete político do Hamas, estimou a ampliação do controle israelense em 8% a 9%. Moradores também afirmaram ter visto tratores militares, que identificaram como das IDF, movendo blocos de concreto pintados de amarelo para além da fronteira original, aparentemente firmando uma nova delimitação.
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“As IDF estão trabalhando para marcar visualmente a linha amarela, de acordo com as condições do terreno e a avaliação operacional continuamente atualizada”, disseram militares israelenses ao Guardian em abril, após serem questionados por suas ações na região. “Como parte desses esforços, as IDF informam a população local em Gaza sobre a localização da linha e trabalham para marcá-la no terreno a fim de reduzir atritos e evitar mal-entendidos”, completou o Exército.
Desde que o cessar-fogo foi firmado, 850 palestinos foram mortos em Gaza, pelo menos 269 deles nas proximidades da linha amarela. Embora o acordo ainda esteja em vigor, Tel Aviv promove ataques quase diários, e há pouca expectativa para que o plano de paz original avance no curto prazo.