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O presidente chinês, Xi Jinping, viajará aos Estados Unidos no segundo semestre, afirmou o chefe da diplomacia do país asiático, segundo a imprensa estatal, horas depois da visita de Donald Trump a Pequim. Será o segundo dos quatro encontros previstos entre os líderes das duas superpotências até o final de 2026.

“O presidente chinês, Xi Jinping, fará uma visita de Estado aos Estados Unidos no outono deste ano, a convite do presidente americano, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (15) o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi”, informou a agência de notícias Xinhua.

Wang também anunciou que China e Estados Unidos concordaram em continuar implementando “todos” os tratados comerciais firmados até o momento e instaurar conselhos sobre comércio e investimentos.

“As delegações dos dois países alcançaram resultados globalmente positivos, incluindo seguir implementando todos os consensos alcançados em reuniões anteriores e aceitar estabelecer um conselho de comércio e um conselho de investimentos”, declarou Wang Yi, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.

Trump concluiu nesta sexta-feira uma visita de dois dias ao país, onde se reuniu com Xi Jinping. O objetivo da viagem, segundo o republicano, era alcançar acordos econômicos em setores como agricultura, aviação e inteligência artificial, e avançar em questões geopolíticas delicadas como a guerra no Oriente Médio ou Taiwan.

Apesar de um tom mais moderado por parte do líder chinês, Trump afirmou que a visita a Pequim, a primeira de um presidente americano ao país asiático em quase uma década, obteve “resultados muito bons”.

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“Fechamos acordos comerciais fantásticos, ótimos para os dois países”, comemorou, enquanto Xi o acompanhava pelos jardins de Zhongnanhai, o complexo central do governo chinês ao lado da Cidade Proibida em Pequim, antes do almoço com bolinhos de lagosta e vieiras Kung Pao. “Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam sido capazes de solucionar”, acrescentou Trump, sem revelar detalhes.

Por sua vez, Xi afirmou que foi uma “visita histórica” e que as partes estabeleceram “uma nova relação bilateral, que é uma relação de estabilidade estratégica construtiva”. Ele prometeu enviar sementes a Trump para o ‘Rose Garden’ da Casa Branca.

“Ajuda” em Ormuz

Em uma entrevista ao canal americano Fox News após o primeiro dia da visita, Trump disse que Xi aceitou vários pontos da lista de reivindicações dos Estados Unidos.

Sobre a guerra no Irã, o presidente americano afirmou que Xi assegurou que a China não planejava ajudar militarmente Teerã, que mantém o Estreito de Ormuz bloqueado na prática, via crucial por onde passam 20% do petróleo e gás natural consumidos no planeta.

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(Xi) disse que não vai entregar equipamento militar, o afirmou com muita firmeza”, declarou Trump. “Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ser de qualquer ajuda, de qualquer forma, gostaria de ajudar’”, acrescentou.

Ao ser questionado se os dois presidentes haviam discutido o conflito com o Irã, o Ministério das Relações Exteriores da China publicou um comunicado nesta sexta em que pede “um cessar-fogo abrangente e duradouro” no Oriente Médio.

“As rotas de navegação devem ser reabertas o mais rápido possível em resposta aos apelos da comunidade internacional”, acrescenta a nota.

Política sobre Taiwan

Os cordiais apertos de mãos e toda a pompa de quinta-feira foram ofuscados por um alerta contundente de Xi sobre um ponto de tensão geopolítica muito mais antigo: Taiwan, uma ilha de regime democrático que Pequim reivindica como parte de seu território.

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Pouco depois do início das reuniões, a imprensa estatal chinesa informou que o líder asiático disse a Trump que uma administração equivocada da questão poderia levar os Estados Unidos e a China a um “conflito”.

A entrevista à Fox News não abordou Taiwan e Trump não fez comentários aos jornalistas quando foi questionado sobre o tema na quinta-feira. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou à emissora americana NBC que “a política dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan não mudou a partir da reunião”.

Pequim que levantou a questão, segundo o chefe da diplomacia americana. “Nós sempre deixamos clara nossa posição e passamos para outros temas”, acrescentou ele.

Taipé agradeceu a Washington nesta sexta-feira “por expressar repetidamente seu apoio”.

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Boeing, soja e petróleo

Trump não detalhou os acordos comerciais que, segundo ele, foram firmados com a China. Na entrevista à Fox News, no entanto, o ocupante do Salão Oval afirmou que Xi teria concordado com a compra de “200 grandes” aviões da Boeing. As ações da empresa americana de aviação caíram após o anúncio, em um sinal de que o mercado esperava uma aquisição mais robusta.

O presidente disse que Pequim também expressou interesse em adquirir petróleo e soja dos Estados Unidos.

A China, que é a principal cliente do petróleo iraniano, comprou pequenas quantidades de petróleo dos Estados Unidos antes de Trump impor tarifas elevadas no ano passado. Desde então, o país reduziu drasticamente as compras de soja americana, recorrendo ao Brasil.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse ao canal CNBC que Trump e Xi também discutiram o estabelecimento de “barreiras de segurança” para o uso da inteligência artificial.



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