Um importante político filipino procurado pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) não estava mais se refugiando no Senado após o que sua esposa chamou de “fuga”, disse o presidente do Senado na quinta-feira (14), um dia depois do tumulto por causa de sua possível prisão.

O senador Ronald “Bato” dela Rosa, ex-chefe da polícia e principal executor da sangrenta “guerra contra as drogas” do ex-presidente Rodrigo Duterte, é procurado por crimes contra a humanidade, os mesmos crimes dos quais Duterte é acusado, e estava sob a proteção do Senado desde segunda-feira (11).

Tiros foram ouvidos na noite de quarta-feira (13) dentro do Senado, fortemente protegido, e as pessoas correram para se abrigar, horas depois de dela Rosa, 64, ter feito um apelo nas redes sociais para que seus apoiadores se mobilizassem, afirmando que agentes estavam vindo para prendê-lo.

Seu aliado, o presidente do Senado, Alan Peter Cayetano, disse na quinta-feira que ele não estava mais no local e leu aos repórteres uma mensagem de texto que disse ser da esposa de dela Rosa, pedindo desculpas pelo tumulto que a presença dele havia causado.

“É por isso que tenho certeza de que Ronald fugiu”, dizia a mensagem de texto de Nancy dela Rosa.

A mensagem não revelou o paradeiro de dela Rosa, mas disse que fugir “não fazia parte do plano”.

Teste importante para Marcos Jr.

O impasse no Senado representa um grande desafio à autoridade do presidente Ferdinand Marcos Jr., cujo governo não conseguiu confirmar na quinta-feira se dela Rosa havia fugido, quem exatamente estava atirando ou a identidade das pessoas que tentaram entrar no Senado.

Marcos está envolvido em uma amarga e prolongada disputa com a influente família Duterte e seus aliados políticos, e tem insistido que não deu nenhuma ordem para prender dela Rosa, um fiel lealista do ex-presidente.

O apelo de dela Rosa por ajuda nas redes sociais levou ao caos na quarta-feira, com forte presença de policiais e guardas armados no Senado, protestos do lado de fora e mais de uma dúzia de tiros disparados pouco depois de uma equipe de fuzileiros navais ser chamada para reforçar a segurança.

O porta-voz da polícia, Randulf Tuano, disse que as investigações estavam em andamento, com cartuchos de bala e carregadores de fuzil de assalto recuperados, além da detenção de uma pessoa que havia “fornecido nomes” que estavam sendo verificados.

O chefe do Bureau Nacional de Investigação, Melvin Matibag, afirmou que a possibilidade de o incidente ter sido encenado também faz parte da investigação.

O TPI tornou público na segunda-feira um mandado de prisão contra dela Rosa, datado de novembro. Ele entrou com um recurso de emergência na Suprema Corte, alegando que o TPI não tem jurisdição após a retirada das Filipinas do Estatuto de Roma em 2019.

Mortes misteriosas em áreas de favelas

O agressivo dela Rosa desfrutou de status de celebridade como o principal braço direito de Duterte, supervisionando uma repressão feroz durante a qual milhares de supostos traficantes de drogas foram mortos, com grupos de direitos humanos acusando a polícia de assassinatos sistemáticos e encobrimentos.

A polícia rejeita isso e afirma que os mais de 6.000 mortos no Projeto Double Barrel estavam todos armados e haviam resistido à prisão.

Ativistas dizem que o verdadeiro número de mortos pode nunca ser conhecido, com usuários e vendedores baleados diariamente em assassinatos misteriosos em favelas que a polícia atribuiu a justiceiros e guerras de facções.

Em uma entrevista à DZBB transmitida na quinta-feira, dela Rosa disse que irá “esgotar todos os recursos disponíveis” para bloquear sua transferência para o TPI e que, tendo tomado conhecimento das condições que Duterte estava enfrentando, não estava mais disposto a lutar seu caso em Haia.

Tanto dela Rosa quanto Duterte negaram ter incitado a polícia a cometer assassinatos.

A tensão política tem transbordado desde segunda-feira, com o drama que seguiu o surgimento de dela Rosa após seis meses escondido e o impeachment da filha do ex-presidente, a vice-presidente Sara Duterte, ex-companheira de chapa de Marcos.

Marcos contou com o apoio da família Duterte para vencer uma eleição em 2022 antes de um rompimento amargo que o levou a entregar Rodrigo Duterte ao tribunal de Haia, onde ele se tornará o primeiro ex-chefe de Estado asiático a ir a julgamento.

Sara Duterte, que está em Haia visitando seu pai, está lutando pela sua sobrevivência política, enfrentando um julgamento de impeachment no Senado que pode atrapalhar sua candidatura à presidência em 2028.

O tribunal de impeachment se reunirá na segunda-feira (18) e deve se tornar um palco para o confronto entre as famílias rivais, colocando lealistas de Marcos contra aliados de Duterte.

Sara Duterte afirmou que dela Rosa seria alvo de uma extradição extraordinária, comparando isso ao que ela chamou de sequestro ilegal de seu pai.

“O que estamos vendo agora é a administração usando todos os recursos do governo para destruir a oposição política”, disse ela em comentários divulgados por seu gabinete.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *