Você já viu imagens de peixes “colados” em outros animais no oceano? Tratam-se das rêmoras, que grudam em seus companheiros de mar através de uma estrutura específica para viajar pelas águas, economizando energia e se alimentando das sobras, parasitas ou fezes dos hospedeiros.

No entanto, em um novo estudo, pesquisadores detectaram que a “hospedagem” das rêmoras foi longe demais. Um exemplar comum do peixe (Remora remora) foi visto entrando na cloaca de uma raia-manta-do-atlântico adulta (Mobula yarae), uma cavidade do animal que serve para reprodução e a excreção de urina e fezes.

O comportamento é raro e foi visto poucas vezes. Em dos registros feito por um dos cientistas enquanto nadava, é possível ver que a entrada da rêmora incomoda a raia e faz até ela ter um espasmo. Em outras imagens, o animal chega a ficar apenas com a cauda de fora dentro da coacla.

O trabalho liderado pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados na revista Ecology and Evolution nessa segunda-feira (11/5).

O comportamento do peixe beneficia as raias?

Segundo os cientistas, anteriormente, quando as rêmoras apenas se “colam” no corpo dos hospedeiros, o comportamento podia ser classificado como, a depender do animal:

  • Mutualismo, em que ambos têm benefícios;
  • Comensalismo, em que apenas um se beneficia e para o outro é indiferente;
  • Parasitismo, em que um dos lados se beneficia, mas o outro é prejudicado.

No entanto, a visão tem mudado com achados recentes. Alguns deles apontam que a relação pode aumentar o gasto energético do hospedeiro ou até machucar sua pele. A descoberta do novo estudo é mais uma evidência de que o comportamento das rêmoras não é tão benéfico ou indiferente assim. 

“Para as raias-manta, a sucção pode causar ferimentos ou desconforto físico, aumentar seus gastos energéticos enquanto tentam remover o peixe e até interferir na reprodução. Raias-manta já foram vistas tentando desalojar rêmoras saltando para fora da água ou raspando a areia”, afirma a autora principal do estudo, Emily Yeager, em entrevista ao portal Live Science.

Os cientistas avaliam que à medida que mais comportamentos como o encontrado no estudo forem registrados, mais conclusões sobre a relação entre as rêmoras e seus companheiros do mar poderão ser feitas.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *