O áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), caiu como uma bomba na tarde de terça-feira (13/5) na Faria Lima, principal centro financeiro do país.
A reação imediata entre agentes do mercado foi de lamento diante da avaliação de que o conteúdo revelado diminui a chance de vitória de Flávio, candidato preferido deste setor, na eleição presidencial, e a busca por alternativas que possam bater de frente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pesquisas eleitorais têm apontado um empate técnico entre Lula e Flávio nas simulações de segundo turno. No mercado, a divulgação do áudio fez moeda americana subir 2,31%, a R$ 5,00, e a Bolsa de Valores (B3) afundar 1,80%.
Dono do Banco Master até sua liquidação pelo Banco Central (BC), em nomebro de 2025, Daniel Vorcaro pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro, chamado Dark Horse, e os recursos foram solicitados por Flávio, conforme reportagem do site Intercept Brasil.
O áudio de Flávio Bolsonaro divulgado na quarta-feira foi considerado pelos gestores da Faria Lima como o maior estrago na campanha do senador do PL.
No início da noite, conforme Flávio se manifestou e os bolsonaristas começaram a divulgar a versão de que se tratava de um pedido legal, que não envolveu dinheiro público nem contrapartida, começou a refluir a percepção inicial de que a candidatura do filho 01 do ex-presidente havia sido ferida de morte.
Assim que o caso eclodiu, porém, pipocaram mensagens em grupos de agentes do mercado financeiro buscando possíveis alternativas à campanha de Flávio.
O nome mais lembrado foi o de Romeu Zema (Novo) que, inclusive, aproveitou para surfar nessa onda ao dizer que o pedido de Flávio era “imperdoável”.
A análise desses agentes é que ainda há chão até as eleições de outubro – inclusive para que as revelações sejam esquecidas – e que novos casos ainda podem afetar outros pré-candidatos à Presidência da República. Mas a torcida é para que apareça algo do mesmo calibre contra Lula e o PT e que Zema não saia chamuscado no caso Master.
Houve menções também aos nomes de Michelle Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão), porém, com intensidade bem inferior. Outros vocalizaram que seria uma oportunidade para fazer a família Bolsonaro se recolher, mas, mesmo entre esse grupo, a percepção é que isso se trata mais de torcida do que de algo provável.