
O Banco do Brasil reportou um resultado fraco e decepcionante para o mercado na noite desta quarta-feira, 13. A companhia reportou lucro líquido ajustado de 3,4 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, queda de 53,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Para os analistas da XP Investimentos, o desempenho negativo no agronegócio já era esperado. No entanto, a deterioração da carteira de crédito voltada para a pessoa física foi a grande decepção do trimestre. A inadimplência da carteira de crédito da pessoa física do Banco do Brasil cresceu 0,9 ponto percentual na comparação entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a piora foi de 2 pontos percentuais. “Isso indica que a carteira de crédito da pessoa física terá pressão adicional à frente”, diz Bernardo Guttmann em relatório da XP.
Já o Safra comenta que Os pedidos de recuperação judicial no segmento rural continuam aumentando, com abril indicando uma nova aceleração. Para o banco, isso deve piorar a situação da carteira de crédito do agronegócio nos próximos trimestres.
“Essa questões acontecem provavelmente devido ao impacto do conflito EUA-Irã sobre os preços dos insumos agrícolas e às taxas de juros elevadas por um período prolongado. Por isso, prevemos uma reação negativa do mercado nesta quinta-feira”, aponta o Safra.
Já a Genial Investimentos lembra que a rentabilidade do banco está em um nível muito abaixo dos pares, que seguem acima do custo de capital. A rentabilidade do Banco do Brasil, medida pelo Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) foi de 7,3%, queda de 9,4 pontos percentuais em 12 meses. Já o custo de capital está em 14,5% ao ano, o que pressiona o banco.
Os analistas reforçam ainda que a revisão das projeções para o ano são preocupantes. O custo do crédito foi elevado de entre 53 bilhões e 58 bilhões de reais para 65 bilhões e 70 bilhões de reais. Já o lucro líquido foi reduzido de 22 bilhões a 26 bilhões de reais para 18 bilhões a 22 bilhões de reais.
“A projeção sinaliza que a pressão na qualidade dos ativos deve permanecer elevada por mais tempo, o o processo de normalização do agro continua bastante incerto e a recuperação da rentabilidade deve ser significativamente mais lenta do que o inicialmente esperado pelo mercado e pelo próprio banco há apenas alguns meses”, conclui Eduardo Nishio, que assina o relatório da Genial sobre o Banco do Brasil.