
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira, 14, que a política americana sobre Taiwan, ilha que a China reclama como parte do seu território, permanece “inalterada”. A declaração à emissora NBC News ocorre após uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, que alertou que a questão sobre a nação insular pode “levar a um confronto ou mesmo a um conflito armado” se “mal administrada”.
“Nossas políticas sobre isso não mudaram”, disse Rubio à NBC News. “Elas têm sido bastante consistentes ao longo de várias administrações presidenciais e continuam consistentes agora.”
Os Estados Unidos não reconhecem Taiwan formalmente como país (apenas doze nações em todo o mundo mantêm laços diplomáticos com o governo local), mas são o principal apoio militar da ilha. Antecessor de Trump, o ex-presidente Joe Biden foi mais enfático na promessa de que, em caso de um ataque chinês, os EUA defenderiam a ilha — em 2022, o democrata chegou a dizer que, apesar de Washington concordar com a política de Uma Só China, “a ideia de que (Taiwan) pode ser tomada à força não é apropriada“.
Trump, por sua vez, amenizou a promessa e destacou que a defesa do território deveria ser responsabilidade exclusiva de Taipé. Embora Taiwan já gaste cerca de 2% do PIB com defesa, o republicano argumenta que deveria corresponder a 10% do produto interno bruto. O mandatário da Casa Branca tem apostado com mais intensidade na política de “ambiguidade estratégica”, sem garantir claramente se defenderia a ilha em caso de uma ofensiva da China.
+ Após encontro ‘fantástico’ na China, Trump convida Xi para Casa Branca em setembro
Pacote de armas
Em paralelo, o governo chinês pressiona os EUA a suspender o pacote de US$ 11 milhões em armas a Taiwan, o maior da história, anunciado em dezembro do ano passado. Caso seja concluída, a venda deve superar todas as 19 rodadas de comércio bélico envolvendo as nações durante o governo Biden, que arrecadou US$ 8,38 bilhões. O pacote inclui Sistemas de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade e obuseiros com propulsão automática, cada tipo de armamento estimado em US$ 4 bilhões.
Segundo o Departamento de Estado, o acordo serve aos interesses americanos, uma vez que concede apoio ao esforço de Taiwan para “modernizar suas forças armadas e manter uma capacidade defensiva crível”. Taipei agradeceu aos Estados Unidos pela transação, afirmando que ajudaria a ilha a “construir rapidamente capacidades robustas de dissuasão”.
Em resposta, a China condenou a negociação e salientou que a promessa “mina severamente a soberania, segurança e integridade territorial da China”. Na ocasião, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakum, afirmou que “a tentativa dos EUA de apoiar a independência pela força só vai sair pela culatra, e sua tentativa de conter a China usando Taiwan absolutamente não terá sucesso”.