A Amaggi anunciou, nesta quarta-feira, a aquisição de 40% da FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país. A operação marca a progressão mais robusta da empresa no segmento e também prevê um aporte de US$ 100 milhões para expansão das operações.

O valor total da transação não foi divulgado, mas o negócio coloca a Amaggi, tradicional gigante do agronegócio voltada para grãos, logística e exportação, em um mercado que cresce rapidamente e amplia participação na matriz de combustíveis renováveis do país.

A FS foi pioneira na produção de etanol exclusivamente à base de milho no Brasil, iniciando operações em 2017. Atualmente, a companhia possui três usinas no Mato Grosso, com capacidade conjunta de cerca de 2,5 bilhões de litros por ano.

A empresa também avança na construção de uma quarta unidade industrial em Campo Novo do Parecis (MT), prevista para entrar em operação no fim de 2026. A nova planta adiciona aproximadamente 600 milhões de litros anuais à capacidade produtiva da companhia, elevando o total para 3,2 bilhões de litros de etanol por ano.

O movimento ocorre em meio à expansão acelerada do etanol de milho no Centro-Sul do Brasil. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o combustível respondeu por 27% da produção total de etanol da região na safra 2025/26. O avanço do segmento também é impulsionado pelos investimentos de empresas como a Inpasa.

Além da ampliação industrial, a FS aposta em tecnologias voltadas à descarbonização. Em setembro, a companhia inaugurou, em Lucas do Rio Verde (MT), sua primeira unidade de captura e armazenamento de carbono, com capacidade para estocar 423 mil toneladas anuais de CO₂.

De acordo com a empresa, a iniciativa tornará a FS a primeira produtora de combustível carbono negativo do mundo.

O CEO da FS, Rafael Abud, afirmou que a operação com a Amaggi não ocorreu por necessidade financeira. Segundo ele, a companhia já apresentava forte geração de caixa e registrou o melhor resultado de sua história no último ano fiscal.

Pelo modelo da operação, parte do negócio será feita por emissão primária de ações, com entrada de novos recursos na FS, além da compra de participações de acionistas atuais.

As empresas afirmaram que a parceria deve gerar sinergias em áreas como originação de milho, logística, otimização operacional e exportações.

Para a Amaggi, o investimento reforça a estratégia de verticalização dos negócios e ampliação da atuação industrial. A empresa passará a dividir o quadro societário da FS com o grupo norte-americano Summit Agricultural Group, atual controlador da companhia.

Segundo as empresas, a atual diretoria da FS será mantida, enquanto a participação da Amaggi ocorrerá por meio do conselho de administração.

A operação foi protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e depende da aprovação das autoridades concorrenciais brasileiras para ser concluída.



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