O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não tem previsão para julgar os recursos no processo que condenou o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), segundo apurou VEJA. Enquanto a Corte não se pronunciar, o ministro Flávio Dino não pretende liberar, no Supremo Tribunal Federal (STF), a continuidade do julgamento que vai definir a sucessão no estado.

O TSE precisa esclarecer o que o Ministério Público vê como uma “contradição”: o fato de ter condenado o ex-governador por abuso de poder político e econômico, mas não ter declarado a perda do seu diploma. O efeito prático da decisão pode parecer irrelevante, já que Cláudio Castro renunciou na véspera do julgamento, mas na verdade tem impacto direito no formato da eleição para governador.

A cassação impõe a votação direta, por voto popular, e não indireta, na Assembleia Legislativa, como ocorre no caso de a saída ser voluntária. Os diferentes cenários entraram no cálculo da renúncia do ex-governador. O PL, partido de Castro, é dono da maior bancada na Alerj e, por isso, tem interesse na votação indireta.

A relatoria do processo no TSE está com o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que assumiu a vaga deixada pela ministra Isabel Gallotti e, por isso, herdou o acervo. Ele não participou do julgamento que condenou o ex-governador, mas vai conduzir o caso na fase de recursos. Compete a Villas Bôas liberar os embargos para serem incluídos na pauta pela presidência. A reportagem apurou que o ministro ainda não sinalizou quando vai fazê-lo.

Além da substituição da relatoria, o TSE também mudou de direção desde o início do julgamento. O ministro Kassio Nunes Marques, que votou para absolver Cláudio Castro, assumiu a presidência da Corte Eleitoral no lugar de Cármen Lúcia, que acelerou trâmites para evitar que o caso só fosse decidido após o fim do mandato do ex-governador.

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Com o passar do tempo, a eleição direta vai se tornando cada vez menos provável. Do ponto de vista logístico, é difícil colocar de pé toda a estrutura de votação no estado em um intervalo tão curto. Segundo o calendário divulgado pelo TSE no final de 2025, com as datas possíveis para eventuais eleições suplementares neste ano, o último dia previsto para uma votação extraordinária, antes do primeiro turno, em outubro, é 21 de junho, prazo apertadíssimo considerando a necessidade de aguardar o registro das candidaturas e a campanha em si.

Enquanto o “jogo de empurra” entre o STF e o TSE não chegar a um desfecho, o desembargador Ricardo Couto, que governa interinamente o Rio, permanece no cargo por tempo indeterminado. Caciques políticos acreditam que o magistrado vai continuar no comando do estado até a eleição de um sucessor na eleição regular de outubro.



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