O presidente dos EUA, Donald Trump, deve chegar a Pequim nesta quarta-feira (13) para uma reunião bilateral com o líder chinês, Xi Jinping, em meio ao impasse nas negociações envolvendo a guerra com o Irã.

A visita acontece em um momento delicado para a diplomacia americana. No fim de semana, Trump classificou como “um lixo” a mais recente contraproposta iraniana para encerrar o conflito, aumentando as dúvidas sobre o futuro do cessar-fogo.

Antes de embarcar, o presidente afirmou que pretende ter uma “longa conversa” com Xi sobre a guerra, embora tenha minimizado a necessidade de ajuda chinesa para resolver a crise.

“Não acho que precisemos de ajuda alguma com o Irã. Vamos vencer de um jeito ou de outro. Vamos vencer pacificamente ou não”, disse Trump à CNN no gramado sul da Casa Branca.

Ainda assim, Pequim é vista como uma potencial mediadora nas negociações entre Washington e Teerã, devido à proximidade econômica e energética entre chineses e iranianos. A China é uma das principais compradoras de petróleo iraniano.

Trump também afirmou nesta terça-feira (12) que está confiante de que o Irã acabará interrompendo o enriquecimento de urânio e abandonando qualquer tentativa de desenvolver armas nucleares. Segundo ele, autoridades americanas têm mantido conversas diretas com representantes iranianos.

“Ou faremos um acordo ou eles serão dizimados”, declarou o presidente.

A viagem marca a primeira ida de Trump à China desde 2017. As conversas oficiais com Xi Jinping devem ter como foco temas como guerra no Oriente Médio, tarifas comerciais, semicondutores, terras raras e tensões envolvendo Taiwan.

A Casa Branca divulgou uma lista parcial dos passageiros que embarcaram com Trump no Air Force One, em direção à Pequim:

  • Eric Trump, filho do presidente
  • Lara Trump, nora de Trump
  • Marco Rubio, secretário de Estado
  • Pete Hegseth, secretário de Defesa
  • Jamieson Greer, representante comercial dos EUA
  • James Blair, vice-chefe de Gabinete da Casa Branca
  • Beau Harrison, vice-chefe de Gabinete da Casa Branca para operações
  • Stephen Miller, vice-chefe de Gabinete da Casa Branca para políticas
  • Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca
  • Robert Gabriel, vice-conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos
  • Michael Kratsios, conselheiro de ciência do Presidente dos Estados Unidos
  • Ross Worthington, redator de discursos
  • Walt Nauta, assessor
  • Monica Crowley, embaixadora e chefe de Protocolo dos Estados Unidos

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, confirmou a congressistas nesta terça que acompanharia Trump na viagem a Pequim, representando as Forças Armadas Americanas.

Ele deve assessorar o presidente em discussões essenciais para o encontro com Xi Jinping, como a venda de armas dos Estados Unidos para Taiwan e o suposto apoio militar da China ao Irã durante a guerra.

Já Marco Rubio será o primeiro secretário de Estado alvo de sanções da China a viajar para Pequim. Em 2020, enquanto ainda era senador da Flórida, Rubio entrou na mira das sanções chinesas por “se comportar mal em questões relacionadas a Hong Kong”, segundo Pequim.

Apesar disso, o diplomata será um dos principais responsáveis por controlar a tensão nas discussões sobre Taiwan, possivelmente um dos pontos de maior atrito da visita. Na última semana, Rubio confirmou que a reivindicação da ilha por parte da China será um dos tópicos discutidos na viagem e afirmou que Washington e Pequim concordam que não é interessante desestabilizar a região do Indo-Pacífico.

O secretário de Estado também terá a tarefa de discutir o bloqueio no Estreito de Ormuz. Nesta terça, o Departamento de Estado emitiu um comunicado afirmando que autoridades da China e dos EUA concordam que nenhum país deveria poder cobrar pedágios para atravessar a via marítima. A nota também diz que o fechamento do estreito foi discutido por Rubio e o chanceler chinês, Wang Yi, durante uma ligação em abril.

No comércio, os Estados Unidos serão representados por Jamieson Greer. Ele enfrentará o desafio de prorrogar um acordo fechado em outubro de 2025, quando os EUA reduziram as tarifas contra Pequim em troca da garantia do fluxo de exportações de terras raras, entre outras exigências. Greer também deve tentar negociar um acordo para ampliar a compra de produtos agrícolas, como carne e grãos, pela China.

O representante comercial ainda deve desempenhar papel fundamental nas discussões sobre a exportação de semicondutores avançados para a China e as restrições a montadoras chinesas de automóveis nos Estados Unidos.

Além de integrantes do governo, empresários também acompanham Trump na viagem. A Casa Branca confirmou que o bilionário Elon Musk e o CEO da Nvidia, Jensen Huang, estão a bordo do Air Force One rumo a Pequim.

A primeira-dama Melania Trump não acompanha o presidente dos EUA em sua viagem à China, informou o South China Morning Post nesta terça (12), citando o gabinete de Melania.



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