
Análises de agências de Inteligência dos Estados Unidos mostram que o Irã conseguiu recuperar o acesso à maioria de seus locais de mísseis, lançadores e instalações subterrâneas, o que contraria declarações do presidente Donald Trump de que as forças iranianas estavam “dizimadas”. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 12, pelo jornal americano The New York Times, com base em relatos de altos funcionários dos EUA sob condição de anonimato.
As avaliações da Inteligência apontam que Teerã voltou a ter a acesso operacional a 30 dos 33 locais de mísseis no Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo. As evidências sugerem que o regime iraniano teria a capacidade de atacar petroleiros e navios de guerra americanos que circulam pela passagem, bem como alvejar embarcações internacionais.
Isso também significa que o Irã — a depender do nível de destruição provocado pelos ataques americanos às instalações — teria poder para usar lançadores móveis dos complexos para transportar seus mísseis para outros locais. Segundo as análises, Teerã mantém 70% dos seus lançadores móveis em operação em todo o país e 70% do estoque de mísseis pré-guerra, iniciada em 28 de fevereiro. O arsenal inclui mísseis balísticos, com capacidade de atingir países da região, e mísseis cruzeiro, de curto alcance em terra e no mar.
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Guerra de versões
Além disso, as autoridades disseram ao The New York Times que as agências apontaram que as forças iranianas retomaram o controle de cerca de 90% de suas instalações subterrâneas de armazenamento e lançamento de mísseis no país. Os centros estão, hoje, “parcial ou totalmente operacionais”, de acordo com as fontes. Os relatórios datam de menos de um mês após declarações do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, de que havia “dizimado as forças armadas do Irã e as tornado ineficazes em combate por muitos anos”.
Em resposta, a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que qualquer pessoa que “pense que o Irã reconstituiu suas forças armadas está delirando ou é porta-voz” da Guarda Revolucionária Islâmica. Por sua vez, Joel Valdez, secretário de imprensa interino do Pentágono, criticou a cobertura do jornal: “É vergonhoso que o The New York Times e outros veículos estejam agindo como agentes de relações públicas do regime iraniano para pintar a Operação Epic Fury como algo diferente de uma conquista histórica”, disse.
Outra questão levantada pelo NYT é o cenário de possível escassez de mísseis americanos. Os EUA já gastaram cerca de 1.100 mísseis de cruzeiro furtivos de longo alcance desde a eclosão do conflito. O número, segundo o veículo, representa quase o total restante do arsenal do país. Também foram disparados mais de 1.000 mísseis Tomahawk, aproximadamente 10 vezes a quantidade anual que o Pentágono adquire. Recuperar o estoque demoraria anos — um problema diante da avaliação da Inteligência de que o Irã não perdeu a força.