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Falar de inteligência artificial desperta a curiosidade das pessoas quando se trata da nova trend de redes sociais ou de como otimizar tarefas. E nem tanto quando o assunto é sério, como IA soberana, coisa que deveria estar entre as prioridades da maioria de nós.
Felizmente, o tema está no radar de organizações governamentais brasileiras e, infelizmente, isso ainda se restringe mais às intenções do que a medidas concretas. É o que aponta uma pesquisa novinha em folha que a Dell Technologies e a NVIDIA encomendaram ao IDC.
O levantamento se chama “Building a Sovereign AI Foundation for Government” e ouviu 258 tomadores de decisão de TI governamental em seis países (EUA, Canadá, Brasil, Alemanha, Reino Unido e França). Os gestores brasileiros estão entre os mais preocupados do mundo com a dependência de fornecedores estrangeiros em inteligência artificial.
Por um lado, 61,1% das organizações governamentais brasileiras dizem que planejam investir em IA soberana nos próximos 12 a 18 meses — número próximo da média global de 60,5%. Mas quando a pergunta muda para quem já está investindo de verdade, o Brasil cai para 8,3%, bem abaixo dos 15,5% observados globalmente. Quase o dobro de distância.
Para quem não é familiarizado com o termo, um breve pit stop: IA soberana se refere à capacidade de um país de desenvolver, operar e controlar sistemas de inteligência artificial com infraestrutura própria, sem depender de plataformas ou servidores de outros países. Na prática, é o oposto de rodar tudo na nuvem de uma empresa americana.
A preocupação com essa dependência é onde o Brasil mais se destaca na pesquisa. 44,4% dos gestores públicos brasileiros citaram a redução da dependência de fornecedores estrangeiros para sistemas críticos de IA como um dos principais benefícios esperados da IA soberana. No restante do mundo, esse percentual foi de 28,3%.
Há um dado que chama atenção pelo que revela sobre o clima interno do setor público brasileiro: 30,6% dos gestores temem que investir em IA soberana cause atraso tecnológico e defasagem de inovação. Globalmente, esse temor aparece em apenas 20,5% das respostas. Em outras palavras, quase um terço dos gestores públicos brasileiros acredita que tentar ser independente pode custar caro em termos de atualização.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, professor de pós-graduação e palestrante