
Grandes varejistas que atuam no mercado de moda não foram totalmente surpreendidas pela derrubada da “taxa das blusinhas”, determinada na terça-feira, 12, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Meses atrás, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) já alertava para esse risco em meio ao calendário eleitoral. “É difícil prever o que vai acontecer, mas o risco de retrocesso na medida existe”, disse o diretor da entidade, Edmundo Lima, em entrevista a VEJA, em fevereiro.
O principal fator por trás da análise não era econômico, mas político: “A oposição deve intensificar suas críticas em relação a esse tema (‘taxa das blusinhas’) em ano eleitoral”, disse Lima à época. O Palácio do Planalto avaliou que o tributo, uma das medidas mais impopulares do governo atual, ameaçava a tentativa de reeleição de Lula. Por mais que o governo tenha registrado uma arrecadação recorde de 5 bilhões de reais com o imposto de importação em 2025, a preocupação fiscal parece ter sido deixada de lado para priorizar a eleição.
O fim do imposto de importação sobre compras de até 50 dólares vindas do exterior gerou reação imediata. Representantes da indústria e do varejo emitiram notas se posicionando contra a decisão de Lula. Entidades empresariais afirmam que o fim da chamada “taxa das blusinhas” amplia a vantagem competitiva de plataformas estrangeiras, sobretudo asiáticas, em segmentos como vestuário, eletrônicos, acessórios e bens de consumo popular.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou a medida como “grave retrocesso econômico” e afirmou que a decisão penaliza especialmente micros e pequenas empresas brasileiras, que enfrentam carga tributária, juros e custos operacionais superiores aos de plataformas estrangeiras. A associação reúne companhias como C&A, Renner, Riachuelo e Azzas 2154, entre outras associadas.