A China reiterou nesta quarta-feira (13) sua forte oposição à venda de armas dos Estados Unidos para Taiwan, pedindo a Washington que honre seus compromissos antes da chegada do presidente americano, Donald Trump, para uma cúpula em Pequim.
A questão de Taiwan, governada democraticamente e considerada pela China como seu próprio território, e a venda de armas para Taipei certamente serão discutidas durante os dois dias de reuniões desta semana entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping.
Os Estados Unidos são legalmente obrigados a fornecer a Taiwan os meios para se defender, apesar da ausência de relações diplomáticas formais. Em dezembro, o governo Trump anunciou um pacote de armas de US$ 11 bilhões para Taiwan, o maior já anunciado.
Zhang Han, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan da China, afirmou que Taiwan é uma questão interna e um assunto que diz respeito ao povo chinês.
“Nós nos opomos firmemente ao envolvimento dos Estados Unidos em qualquer forma de laços militares com a região de Taiwan, pertencente à China, e nos opomos firmemente à venda de armas dos Estados Unidos para a região de Taiwan. Essa posição é consistente e inequívoca”, disse ela em Pequim.
Taiwan é o “núcleo dos interesses fundamentais da China” e honrar os compromissos assumidos por sucessivas administrações americanas são “obrigações internacionais que os EUA têm o dever de cumprir”, acrescentou Zhang.
Os EUA oficialmente não tomam posição sobre a soberania de Taiwan no âmbito da política de “Uma Só China” de Washington, mas reconhecem, sem aceitar, a posição de Pequim de que a ilha pertence à China.
Gastos com a defesa de Taiwan
Trump estará na China menos de uma semana depois de o parlamento taiwanês, controlado pela oposição, ter aprovado apenas dois terços de um orçamento especial de defesa de 40 bilhões de dólares solicitado pelo presidente Lai Ching-te, financiando compras de armas americanas, mas cortando programas domésticos como o de drones.
Um alto funcionário americano afirmou no domingo que os Estados Unidos ficaram desapontados com a aprovação de gastos com defesa abaixo do que Washington considera necessário.
Um alto funcionário de segurança de Taiwan disse à Reuters que o maior risco para Taipei era que Pequim usasse esse orçamento reduzido como forma de pressionar Trump.
A China poderia “argumentar que o legislativo de Taiwan se opõe à compra de armas e que os EUA deveriam respeitar a vontade do povo taiwanês – a fim de persuadir o presidente Trump a interromper ou reduzir o apoio militar a Taiwan”, acrescentou o funcionário.
A Reuters noticiou em março que um segundo pacote de armas, avaliado em cerca de 14 bilhões de dólares , poderia ser aprovado após o retorno de Trump da China, mas seu status atual é incerto.
Na terça-feira (12), Lai, que rejeita as reivindicações de soberania de Pequim, disse na Cúpula da Democracia de Copenhague que a ilha é uma ” nação soberana e independente ” e um farol da democracia que não se curvará à pressão.
Zhang afirmou que Taiwan é uma parte da China que nunca foi, e nunca será, um país.
“Nossa determinação em nos opormos à independência de Taiwan é firme como uma rocha, e nossa capacidade de esmagar a independência de Taiwan é inabalável”, disse ela.
A China nunca renunciou ao uso da força para colocar Taiwan sob seu controle, mas afirma que sua opção preferida é a “reunificação pacífica”.