O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) arquivou, nesta quarta-feira (13/5), uma representação de pedido de cassação de mandato do deputado estadual Guto Zacarias (Missão) por quebra de decoro. A partir da votação, o processo não será nem aberto.
A base para o requerimento da deputada Paula da Bancada Feminista (PSol) foi uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), no âmbito da Lei Maria da Penha, que apontou acusações de violência psicológica e ameaça contra a ex-companheira do parlamentar, Giovanna Pereira, além de coação para ela fazer um aborto.
Guto aparece em um áudio que incentiva a ex-namorada a interromper a gestação. No conteúdo, ele afirma: “Não consigo entender nenhum motivo para não fazer”.
Segundo o MPSP, as ameaças teriam ocorrido entre 2024 e o início de 2025, logo após o fim do relacionamento, quando a ex informou ao deputado que estava grávida. A partir disso, de acordo com a promotoria, o deputado passou a adotar um comportamento de pressão constante, com mensagens, áudios e contatos frequentes, tentando influenciar a decisão da vítima. Depois, a gravidez foi mantida.
Como votou cada deputado
Na reunião do Conselho de Ética da Alesp, o pedido foi arquivado por 4 votos a 2:
- Contra a instauração do processo contra Guto Zacarias por quebra de decoro parlamentar: Bruno Zambelli (PL), Oseias de Madureira (PSD), Rafael Saraiva (União Brasil) e Eduardo Nóbrega (Podemos).
- A favor da abertura: Enio Tatto (PT) e Ediane Maria (PSol).
- Abstenção: Delegado Olim (PP), presidente do Conselho de Ética.
Suspensão de Lucas Bove
Na reunião desta quarta, o Conselho de Ética também arquivou um pedido de suspensão de 30 dias do mandato do deputado estadual Lucas Bove (PL), devido a uma representação da deputada Mônica Seixas (PSol). A parlamentar o acusou de violência política de gênero por agressões verbais ocorridas em sessões na Alesp.
A maioria do colegiado rejeitou o parecer do relator, Emídio de Souza (PT), que havia concordado com um mês de suspensão a Bove. Foram 2 votos a 5 pelo pelo arquivamento.
Votaram pela rejeição da punição: Delegado Olim (PP), presidente do conselho; Rafael Saraiva (União); Bruno Zambelli (PL); Oseias de Madureira (PSD); e Eduardo Nóbrega (Podemos). Votaram a favor do afastamento: Paula da Bancada Feminista (PSol); e Enio Tatto (PT).
Lucas Bove também é réu por violência doméstica contra a ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas.