
A polícia italiana abriu uma investigação nesta segunda-feira, 11, após a divulgação de um vídeo que mostra uma corrida ilegal de cavalos nas ruas da Sicília acompanhada por homens armados disparando tiros para o alto, alguns deles empunhando fuzis Kalashnikov. O caso levou à apreensão de cavalos e ao interrogatório de diversos suspeitos ligados ao evento clandestino.
As imagens, registradas na última sexta-feira e publicadas nas redes sociais pelo ativista dos direitos dos animais Enrico Rizzi, mostram dois jóqueis conduzindo carroças puxadas por cavalos em alta velocidade por estradas rurais de Palagonia, cidade próxima a Catânia, no leste da Sicília. Atrás deles, dezenas de homens em scooters acompanham a corrida enquanto efetuam disparos para o ar.
Segundo a polícia, as investigações começaram após denúncias sobre a competição não autorizada e sobre a presença de pessoas armadas durante o evento. Em comunicado, as autoridades informaram que dois homens, de 40 e 45 anos, foram denunciados ao Ministério Público.
A operação também incluiu inspeções em estábulos do bairro de San Cristoforo, em Catânia, realizadas em conjunto com veterinários do departamento regional de saúde. O objetivo era localizar os cavalos usados na corrida e retirá-los das condições às quais estavam submetidos.
De acordo com o jornal italiano La Sicilia, os animais foram apreendidos e os estábulos fechados pelas autoridades. Outras pessoas foram levadas para interrogatório, enquanto a investigação continua para identificar todos os envolvidos na organização da corrida.
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Problema recorrente
As corridas clandestinas de cavalos são um problema recorrente no sul da Itália, especialmente na Sicília, Calábria e Campânia. Ao longo dos anos, investigações policiais apontaram que muitas dessas disputas são financiadas ou controladas por famílias ligadas à máfia italiana, incluindo a Cosa Nostra, a Camorra e a ’Ndrangheta.
Além do lucro obtido por meio de apostas ilegais, autoridades italianas afirmam que esses eventos funcionam como demonstração de poder territorial de grupos criminosos. Em relatório divulgado no ano passado, a organização de proteção animal LAV classificou as corridas clandestinas como uma das manifestações mais explícitas do domínio mafioso sobre determinadas regiões.
“Os grupos criminosos ocupam vias públicas, mobilizam homens e veículos e demonstram controle total do território”, afirmou a entidade. O relatório também denuncia maus-tratos sistemáticos aos animais, submetidos a chicotadas, dopagem e condições insalubres.
Segundo a LAV, sete corridas ilegais foram interrompidas apenas em 2024, resultando em 70 denúncias e na apreensão de 29 cavalos e um pônei. Desde 1998, mais de 4.300 pessoas já foram denunciadas em investigações relacionadas ao esquema.