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O Kremlin reiterou nesta terça-feira, 12, uma fala do presidente Vladimir Putin, que surpreendeu ao dizer no final de semana que a guerra com a Ucrânia “se aproxima do fim”, mas afirmou ser muito cedo para a discussão de “detalhes concretos” sobre o desfecho dos combates.
“O trabalho de base acumulado no âmbito do processo de paz (mediado pelos Estados Unidos) nos permite afirmar que o fim está de fato se aproximando. Mas, neste contexto, não é possível, no momento, falar sobre detalhes específicos”, disse Peskov.
Embora os comentários de Peskov e Putin deixem evidente a aparente vontade pública do Kremlin em encerrar o conflito, ainda não está claro em quais termos isso ocorrerá. No sábado 9, no mesmo discurso em que pregou o fim da guerra, Putin teceu críticas ao apoio dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao Exército ucraniano, enquanto a agência de notícias AFP aponta que as negociações entre as partes estão estagnadas.
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De acordo com o porta-voz, a guerra “pode ser interrompida a qualquer momento”, desde que a Ucrânia “assuma sua responsabilidade e tome a decisão necessária”. Peskov não especificou quais seriam tais decisões, mas afirmou que Kiev estava “plenamente ciente” do que deveria ser feito.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por sua vez, voltou a colocar nos russos a responsabilidade pelo impasse. “A Rússia não tem intenção de encerrar esta guerra. E nós estamos, infelizmente, nos preparando para novos ataques”, afirmou ele na segunda-feira.
Informações da agência de notícias Reuters apontam que as negociações entre Rússia e Ucrânia, feitas em formato trilateral com a presença dos Estados Unidos, estão em um impasse devido a objetivos diferentes. Moscou almeja a anexação do território ocupado por seu exército, enquanto Kiev exige a retirada das tropas russas.
Embora o presidente Donald Trump tenha promovido um amplo esforço para encerrar a guerra desde que retornou à Casa Branca — parte de sua alardeada campanha pelo Nobel da Paz —, as negociações foram prejudicadas pelo desvio da atenção para o conflito no Oriente Médio. Um cessar-fogo temporário na Ucrânia foi anunciado na última sexta-feira 8, com validade de três dias, mas nenhum avanço significativo foi feito desde o fim do prazo.