A guerra no Oriente Médio pode ter impactos significativos sobre os índices de pobreza na América Latina e no Caribe. Segundo Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), se o cenário de estresse provocado pelo conflito se prolongar por mais de quatro trimestres, a pobreza na região pode aumentar entre 0,3% e 0,8%, dependendo do país.
De acordo com Goldfajn, em entrevista ao Hora H desta segunda-feira (11), o levantamento do BID revela que a América Latina e o Caribe estão em posição mais sustentável e resiliente diante do choque em comparação com outras regiões do mundo.
“Quando você compara com a Ásia, quando você compara com a África, mesmo com a Europa, o impacto é menor”, afirmou. Segundo ele, os países da região já estão mais preparados, contando com taxas de câmbio flutuantes, o que ajuda a absorver os efeitos do choque.
Goldfajn alertou, no entanto, que o choque não deve se dissipar rapidamente. “O preço do petróleo pode ficar mais alto por algum tempo”, declarou. Esse cenário pode levar a um aumento da inflação, especialmente no preço dos alimentos. “E isso leva a um aumento da pobreza”, ressaltou.
O principal vetor de impacto identificado pelo estudo é o chamado choque do petróleo, associado ao conflito no Oriente Médio. A elevação dos preços da commodity se transmite para a economia real por meio do encarecimento de alimentos e de outros bens essenciais, afetando de forma desproporcional as populações mais vulneráveis da região.
Ilan Goldgajn é um dos convidados da Brazil Week, evento realizado em Nova York que reúne autoridades e empresários brasileiros para debater desafios econômicos, investimentos e política.