
As ações da Petrobras podem ter uma reação negativa no mercado no curto prazo após pagar dividendos abaixo do esperado, disseram os analistas da XP Investimentos e do Banco Safra em relatórios publicados nesta terça-feira, 12.
Ontem, a estatal divulgou lucro líquido de 32,6 bilhões de reais, uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado, em um cenário marcado pela disparada do petróleo no mercado internacional, que não se materializou no balanço da petroleira.
No caso dos dividendos da Petrobras, a empresa pagou 9,3 bilhões de reais, abaixo dos 12 bilhões aguardados pelo mercado. Já o Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em 61,7 bilhões de reais, 9% abaixo da projeção do Banco Safra.
Para a XP Investimentos, o resultado abaixo das expectativas é explicado principalmente por preços mais baixos do que o esperado nas exportações de petróleo bruto (aproximadamente 72 dólares por barril, alta de 6,5% na comparação trimestral, enquanto o petróleo Brent subiu 27% no mesmo período).
“A nosso ver, os resultados do 1° trimestre da Petrobras decepcionaram as expectativas e provavelmente devem desencadear uma reação negativa nas ações no próximo pregão. No entanto, entendemos que isso não deve se traduzir em revisões das estimativas para baixo relevantes à frente”, diz Regis Cardoso, que assina o relatório da XP.
Embora o trimestre tenha coincidido com a escalada militar no Oriente Médio e a disparada do preço internacional do petróleo, a Petrobras afirmou que os efeitos mais fortes da crise ainda não apareceram em seus resultados financeiros.
Isso ocorre porque existe um intervalo entre o embarque do petróleo exportado e o reconhecimento da receita. Grande parte das vendas da companhia para o mercado asiático é precificada com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga ao destino.
Para o Safra, mesmo que a estatal tenha utilizado essa justificativa, o balanço decepcionou. Os analistas estimavam um fluxo de caixa livre, dinheiro que pode ser destinado aos dividendos, de 3,9 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, abaixo do esperado pelo Safra, que era um fluxo de caixa livre de 6 bilhões de dólares.
“O resultado abaixo do esperado pode gerar uma reação negativa do mercado no curto prazo, mas acreditamos que os fundamentos subjacentes permanecem sólidos, com os benefícios de preço e volume esperados para serem refletidos no 2º trimestre de 2026”, concluem os analistas do Safra.