O avanço dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vem redesenhando a forma como empresas acessam crédito no Brasil. Em meio a um cenário de juros elevados, maior cautela dos bancos e pressão sobre o caixa das companhias, o patrimônio líquido da indústria se aproximou de 741,1 bilhões de reais nos últimos 12 meses, com crescimento de 22,5%, enquanto o número de investidores mais que dobrou, saltando de 147,3 mil para 333,7 mil.

O movimento reflete uma mudança estrutural no mercado de crédito corporativo. Com instituições financeiras mais seletivas na concessão de recursos e empresas enfrentando margens comprimidas, os FIDCs passaram a ser vistos não apenas como uma alternativa de funding, mas como uma ferramenta estratégica de gestão financeira.

Segundo Edgar Araujo, CEO da Azumi Investimentos, o diferencial está justamente na flexibilidade dessas estruturas. “O FIDC rompe com a lógica do crédito padronizado. Ele permite que a estrutura seja desenhada de acordo com a necessidade da empresa, respeitando o fluxo de caixa e criando previsibilidade financeira, algo que o modelo bancário tradicional dificilmente consegue oferecer”, afirma.

Na prática, os FIDCs permitem que empresas transformem recebíveis em capital, estruturando operações adaptadas ao próprio ciclo financeiro, com condições mais alinhadas à realidade do negócio. Diferentemente das linhas tradicionais de crédito, é possível personalizar prazos, amortizações, garantias e períodos de carência, reduzindo pressões sobre o caixa e aumentando a previsibilidade operacional.

Além da busca por crédito mais eficiente, outro fator tem impulsionado o interesse pelas estruturas próprias de FIDC, a eficiência tributária. Em um ambiente em que a carga tributária sobre o lucro pode chegar a 34%, empresas passaram a olhar para modelos que permitam otimizar a gestão financeira e preservar capacidade de reinvestimento.

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De acordo com Araujo, o ganho fiscal acontece especialmente em estruturas proprietárias ou ligadas ao empresário. “A estruturação via FIDC próprio não é apenas uma solução de crédito, mas um mecanismo estratégico que permite às empresas otimizar seu fluxo de caixa e obter eficiência tributária, criando um ambiente mais robusto para crescimento e reinvestimento”, explica.

Nesse modelo, despesas financeiras podem ser deduzidas na empresa operacional, enquanto os resultados financeiros ficam concentrados dentro do fundo, criando uma dinâmica mais eficiente do ponto de vista tributário e financeiro. O avanço desse mercado também vem ampliando o espaço de instituições especializadas na estruturação dessas operações. A Azumi Investimentos, autorizada pelo Banco Central e pela CVM, atua na criação e administração de FIDCs próprios, reunindo em uma mesma estrutura administração fiduciária, custódia, escrituração e controladoria.

Para Edgar Araujo, o crescimento do setor deve continuar nos próximos anos, principalmente diante da transformação do mercado de crédito no país. “O crédito estruturado tende a ganhar ainda mais relevância à medida que as empresas buscam alternativas mais flexíveis, menos burocráticas e conectadas à realidade operacional dos negócios. O FIDC deixa de ser apenas uma solução financeira e passa a ocupar um papel estratégico dentro das companhias”, afirma.

Em um ambiente econômico ainda marcado por juros elevados, inadimplência e maior rigor bancário, o mercado de FIDCs ganha força justamente por oferecer algo cada vez mais valorizado pelas empresas: previsibilidade, autonomia e capacidade de adaptação.



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