Belo Horizonte – As principais lideranças do Partido Liberal mineiro vão se reunir, nesta terça-feira (12/5), com o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL); com o presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto; e com o senador Rogério Marinho (PL-RN) para discutir a posição da legenda na disputa do governo de Minas Gerais nas eleições deste ano.
O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), que deixou a presidência da sigla em Minas nessa segunda-feira (11/5), afirmou que a demora para a definição faz parte do processo, mas destacou o nome do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como à frente dos outros potenciais postulantes, como é o caso do governador Mateus Simões (PSD).
“Com o Cleitinho, hoje, tem maiores possibilidades porque ele já declarou apoio ao Flávio Bolsonaro e, no caso do Mateus, ele já tem dois pré-candidatos a presidente que têm uma certa relação com ele”, afirmou Sávio.
Simões, que vem tentando se aproximar da base bolsonarista desde o ano passado, quando esteve todo tempo ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma visita dele à capital mineira em junho daquele ano, tem ligado a sua imagem o também pré-candidato Romeu Zema (Novo), de quem é sucessor no governo mineiro; e o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), seu correligionário de partido.
Apesar do cenário, Domingos Sávio aponta que a ligação de Simões com outros dois pré-candidatos não é um impeditivo para uma potencial aliança. O atual governador, em contato com o Metrópoles, afirmou que vai “aguardar os fatos” para se manifestar.
As soluções caseiras
Outros dois quadros, estes de dentro da legenda, aparecem como alternativas. O presidente licenciado da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli.
Caso a decisão seja para que um dos dois dispute o pleito, o deputado afirma que deve ser tomada rapidamente para que tenham tempo de “colocar essa candidatura própria em pé de igualdade com outros nomes que estão há mais tempo colocados”.
Uma fonte ligada ao PL, que defende que a sigla apoie o senador Cleitinho Azevedo para o pleito, afirma que Roscoe seria a figura ideal para integrar a chapa, como vice-governador. Inclusive comparando a escolha por ele com a decisão do PT de ter, na corrida presidencial de 2002, o ex-presidente da Fiemg José Alencar na corrida presidencial.
Roscoe, que será um dos participantes da reunião de hoje, afirma que aguarda a decisão do PL, mas que está à disposição para a disputa. O atual presidente da legenda, Zé Vitor, e o deputado federal Nikolas Ferreira também estarão presentes no encontro.
Nikolas mais distante
Nikolas Ferreira, segundo pessoas próximas, não quer se envolver na decisão de qual nome o PL vai encampar na disputa ao Palácio Tiradentes e estaria buscando “ajudar o Flávio (Bolsonaro) de outras formas”.
Já na corrida para o Senado, o partido já definiu um dos nomes, o deputado federal Domingos Sávio foi o escolhido.
Cleitinho fura-bolha, mas falas mais à esquerda preocupam
Apontado pelas pesquisas eleitorais como forte favorito na corrida eleitoral ao governo mineiro, Cleitinho Azevedo é visto por uma ala do PL como um bom palanque em Minas Gerais, que poderá aproximar Flávio Bolsonaro de um eleitorado não muito próximo a ele.
“O Cleitinho tem voto tanto na direita, quanto no centro e também tem pessoas que votam no Lula e votam nele. O Cleitinho é o melhor pré-candidato para ajudar Flávio Bolsonaro a furar essa bolha em Minas Gerais e em regiões que o PT tem maioria”, avaliou o vereador de Belo Horizonte Vile Santos, em publicação nas redes sociais.
Contudo, uma das coisas que preocupa alguns políticos do PL mineiro são posições que o senador tem muito próximas a pautas defendidas pela esquerda. Ao longo destes últimos quatro anos, o político já defendeu uma série de projetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mais recente, que foi mencionado pela fonte, foi a defesa pelo fim da escala 6×1 para os trabalhadores.
Políticos tem conversado com Cleitinho para orientar que o discurso dele sobre esses temas esteja mais afinado com o do PL. Neste caso, por exemplo, foi dito que ele deveria se posicionar a favor da redução de impostos sobre o empresário, para que o custo dessa possível aprovação não atinja essa classe.




