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O Ministro da Saúde Alexandre Padilha se manifestou nesta segunda-feira, 11, sobre as manifestações a favor do uso de produtos da Ypê após a suspensão da comercialização de detergentes, lava roupas e desinfetantes da marca pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medida revogada via recurso da empresa e que será discutida pela diretoria da agência nesta semana. Nas redes sociais, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro têm postado vídeos utilizando os produtos de limpeza inclusive de forma indevida: no banho e um deles aparece supostamente bebendo detergente, práticas que trazem riscos à saúde.

Em coletiva, Padilha refutou as acusações de que a medida da Anvisa tem viés político. Isso porque defensores do bolsonarismo acusam a agência de perseguição à empresa pelo fato de ela ter feito doação à campanha para reeleição do ex-presidente, derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao longo do fim de semana, vários vídeos de pessoas comprando detergentes da Ypê, passando na pele e bebendo foram postados nas redes sociais. Até a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, fez um post enaltecendo a marca.

“A Anvisa tem um lado apenas: o lado da saúde das famílias. Nós tivemos neste fim de semana, uma enxurrada de vídeos irresponsáveis, que desinformam a população, que tentam transformar algo que é técnico na preocupação com a saúde das pessoas em uma disputa política”, declarou o ministro.

Ele também explicou a base para a tomada de decisão da agência. “A Anvisa tem o papel constitucional, como agência do Estado brasileiro, de tomar todas as medidas de precaução inclusive para que não se coloque em risco a saúde das famílias e o meio ambiente.”

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Médico infectologista, Padilha alertou para o perigo de fazer o uso inadequado de produtos de limpeza. “Não bebam detergente. Não bebam qualquer produto de qualquer marca, muito menos saia fazendo vídeozinho sobre isso. Isso é uma desinformação para a população, colocando em risco a vida das pessoas.”

A agência deve definir os rumos da resolução que suspendeu a comercialização de produtos da empresa em reunião nesta semana. Em nota, a Ypê afirmou que “vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que seguem sendo apresentados às autoridades competentes, reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos”.

A empresa disse que triplicou a capacidade de atendimento no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para dar suporte às pessoas com dúvidas.

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Riscos à saúde

O uso de produtos de limpeza em geral demanda cuidado, porque eles contêm produtos químicos que podem ser nocivos à saúde quando ocorre a utilização incorreta.

“Do ponto de vista dermatológico, detergentes e produtos de limpeza doméstica não são formulados para uso em pele humana, muito menos em mucosas. Esses produtos contêm surfactantes, solventes, fragrâncias e outros agentes químicos desenvolvidos para remoção de gordura e sujeira de superfícies, e não para contato direto e repetido com o organismo”, explica a médica dermatologista Thaís Barcellos, professora da Afya Itaperuna.

A aplicação na pele pode causar de ressecamentos a quadros mais graves, como queimaduras. “Quando utilizados no corpo, podem causar importante alteração da barreira cutânea, que é a estrutura responsável por proteger a pele contra perda de água, irritantes e microrganismos. Isso pode levar a ressecamento intenso, irritação, sensação de ardência, dermatites de contato, eczema e até queimaduras químicas.”

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A ingestão e o contato com mucosas devem ser evitados em qualquer situação, do uso doméstico aos vídeos para viralizar. As mucosas, como o interior da boca, são tecidos mais sensíveis e podem apresentar lesões e inflamações, segundo a dermatologista.

“Nos casos de ingestão, mesmo pequenas quantidades podem causar toxicidade, irritação gastrointestinal, náuseas, vômitos e, dependendo da composição do produto, consequências sistêmicas mais relevantes”, alerta.

 

 



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