
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, afirmou nesta segunda-feira, 11, que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, está “numa posição mais frágil do que nunca”. Após reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco, ela afirmou que a declaração recente de Putin sobre a guerra na Ucrânia estar caminhando para o fim sugere desgaste do líder russo.
Em coletiva, Kallas disse que Putin tem lidado com crescente descontentamento da população, impulsionado pelos bloqueios da internet, pela economia em recessão e pela falta de perspectivas de que o conflito, iniciado em fevereiro de 2022, chegue ao fim. No entanto, ela advertiu que ainda não foi possível chegar “ao ponto em que eles (os russos) estariam realmente dispostos a negociar” devido às “reivindicações maximalistas” de Moscou.
Nem Zelensky, nem Putin parecem dispostos a flexibilizar as reivindicações. A Rússia exige que a Ucrânia ceda 20% do seu território, incluindo as regiões de Luhansk e Donetsk, abandone a pretensão de aderir à Otan, principal aliança militar ocidental. Além disso, Putin quer que a Ucrânia se desmilitarize, uma ideia rejeitada por Zelensky, que insiste em “um forte exército ucraniano” como uma exigência imutável. O líder ucraniano também nega abrir mão de parte do país e defende o princípio da soberania, sendo apoiado por aliados europeus.
A vice-presidente da Comissão Europeia, braço executivo da UE, também abordou a possível entrada da Ucrânia no bloco. Ela reconheceu que o país fez “progressos notáveis em reformas sob as circunstâncias mais difíceis” e que espera que as tratativas avancem em breve.
“Há agora um novo impulso e devemos aproveitá-lo para avançar no caminho da Ucrânia rumo à UE. Isso significa abrir todos os polos de negociação antes do verão”, disse ela, fazendo menção ao início do verão europeu em 21 de junho. “A entrada da Ucrânia na UE não é caridade. É um investimento na nossa própria segurança. E a nossa mensagem para Putin é clara: o futuro europeu da Ucrânia é mais importante para nós do que a destruição da Ucrânia é para a Rússia”, acrescentou.
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Violações ao cessar-fogo
Ainda nesta segunda, autoridades da Ucrânia denunciaram violações ao cessar-fogo de três dias anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando a Rússia de lançar ataques com mais de 8 mil drones nas linhas de frente e manter confrontos no campo de batalha.
O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia disse que 180 confrontos no campo de batalha foram registrados ao longo do front nas últimas 24 horas e que as forças russas utilizaram 8.037 drones “kamikaze” em ataques a assentamentos e posições militares no domingo 10.
Duas pessoas foram mortas e outras duas ficaram feridas na região de Kherson, no sul da Ucrânia, disse o governador local. Já na região de Zaporizhzhia, uma pessoa foi morta e duas ficaram feridas. O Ministério da Defesa russo, por sua vez, relatou 16.071 violações da trégua em um período de 24 horas, incluindo milhares de ataques com drones.