
Preocupada com efeitos do avanço da PEC do fim da escala 6×1 nas eleições, a oposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado tem articulado para tentar brecar a tramitação da medida.
O objetivo é evitar a aprovação da proposta nas duas Casas antes da corrida presidencial.
Entusiasmados com a atuação recente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para impor derrotas ao Palácio do Planalto, a oposição procurou o amapaense e sugeriu que ele buscasse o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tentar desacelerar o ritmo do andamento do texto.
A ideia deles é que as discussões em torno da PEC na Câmara se estendam até junho. Com isso, os senadores teriam a desculpa perfeita para segurar a tramitação, visto que chegaria à Casa em um momento em que os corredores devem ficar esvaziados, em função das festas juninas, da Copa do Mundo e das convenções partidárias.
Caso o plano seja alcançado, a expectativa de lentidão dos trabalhos entre agosto e outubro – quando parlamentares estarão em campanha nas suas bases eleitorais – faz com que eles acreditem que o texto seria apreciado pelo Senado apenas depois das eleições.
Motta já teria sinalizado a Alcolumbre que pretende cumprir o calendário que acertou com Lula, que prevê a aprovação no plenário da Câmara até o fim de maio.
Até mesmo opositores de Lula reconhecem que a estratégia é arriscada, já que a medida tem elevado apelo popular e uma ofensiva desastrada contra a medida poderia ser explorada por governistas durante a eleição.