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Nas próximas eleições presidenciais, dois grupos de eleitores estão na mira dos principais pré-candidatos: jovens com idade entre 16 e 34 anos e mulheres. Isso porque um levantamento do instituto Genial/Quaest realizado em abril deste ano mostrou uma tendência desses eleitorados a mudar o voto até 6 de outubro.
Segundo os dados, 35% dos que tendem a escolher Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas ainda podem trocar o voto. Quando a análise é contra o principal opositor do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o índice daqueles que podem deixar de votar no filho Zero Um de Jair Bolsonaro sobe para 40%. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 60% afirmam que podem reavaliar a escolha. Por fim, 81% dos aptos a votar em Romeu Zema (Novo) ainda podem mudar de ideia.
Os números apontam que entre os que podem mudar o voto, 52% são jovens, enquanto 49% são mulheres. Um político ouvido por VEJA e próximo de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou que a campanha de Flávio deverá se empenhar em conseguir o voto jovem e de mulheres, grupos vistos como distantes durante o governo de Jair Bolsonaro. “Agora (os jovens) sentem na pele os problemas dos governos do PT. Muitos nem eram nascidos na época dos governos Lula 1 e 2. E são, naturalmente, ‘oposição’ sempre”, avalia o integrante do partido de Flávio Bolsonaro. “O próprio Lula precisa defender seu trabalho e essa será a maior dificuldade da esquerda. O Flávio está focando nas questões econômicas e pensando em um projeto. E a própria pessoa dele, jovem e com um semblante mais leve que o do pai (Jair), vai atrair esses eleitores mais afastados como jovens e mulheres.”
Entre os jovens, há ainda o fator de que são os mais propensos a trocar a escolha em meio ao período eleitoral. “A decisão de voto, a certeza de voto de um indivíduo, ela se dá ou porque as pessoas têm preferências intensas com os candidatos. Então, a probabilidade de essa pessoa mudar de voto, ela é muito menor, ela tem, então, o que se chama na literatura da ciência política de predisposições afetivas, mais fortes ou menos inclinadas à mudança. E nesse caso, o jovem muito provavelmente não tem essas visões ainda tão bem cristalizadas ou rigorosas, a ponto de falar que não pode mudar de voto”, analisa o diretor de pesquisa da Nexus, André Jácomo. “O público jovem, na eleição passada, pelo que as pesquisas mostraram, foi um eleitor que declaradamente disse que votou no presidente Lula. E hoje, quando a gente pega o segmento dos jovens, ele tem um empate técnico no primeiro turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.”
Pontos a serem explorados na campanha eleitoral vão focar, ainda, no aumento do custo de vida, o que afeta jovens, e sensação de insegurança nas famílias, segundo o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM). “As promessas de atenção aos mais vulneráveis contrastam com o que se vê no dia a dia”, disse. Aliados de Flávio apontam ainda que necessidade de mostrar para o eleitor que ainda tem dúvidas sobre em quem votar que um eventual governo do atual senador será no foco da “pacificação nacional, menos ideológica e mais conciliador”, avalia Ubiratan Sanderson (PL-RS). Entre petistas, a situação é de tentar manter a calma e esperar o momento certo para não “queimar a largada”. Um integrante do PT afirmou a VEJA que “Lula tem o que mostrar e atrair o voto em dúvida, do jovem, da mulher”. “O Flávio tem um teto e acreditamos que ele já atingiu esse teto. No segundo turno ele vai ter que prometer tudo para todo mundo para conseguir derrotar o Lula (…) e o presidente precisa explorar isso e mostrar que é um governo que tende pela estabilidade”.