
A maternidade de Mara Maravilha não veio da forma como ela imaginou durante boa parte da sua vida. Depois de tentativas frustradas de engravidar, procedimentos de fertilização in vitro (FiV) e mais de quatro anos na fila de adoção, a apresentadora se tornou mãe de Miguel Benjamim, hoje com 7 anos. Em conversa com a coluna GENTE, ela falou sobre o processo sem romantizar as dificuldades e aproveitou para defender a adoção com críticas diretas à forma como o tema ainda é tratado no Brasil.
Mara disse que, mesmo com o longo tempo de espera, passou a enxergar a burocracia da adoção como necessária diante da quantidade de irregularidades envolvendo crianças. “É melhor seguir o processo legal do que permitir práticas ilegais, como tráfico e abusos. Muitas vezes, a criança nasce de genitores irresponsáveis e acaba passando de mão em mão, até que a própria história dela se perde”, afirma.
A apresentadora também rejeita o rótulo de “filho adotivo”. Para ela, o termo cria uma diferenciação desnecessária e defende que seu uso deva ser combatido. “Tem que ter uma lei que resguarde o cuidado do uso do termo filho adotivo. Uma coisa é o assunto sobre adoção, outra é eu me achar confortável quando se refere ao meu filho como ‘filho adotado’. Não gosto, não acho correto. Ele é meu filho”.
Antes da chegada de Miguel, Mara tentou engravidar por fertilização enquanto aguardava na fila de adoção. Ela contou que utilizou óvulos de uma doadora com características físicas semelhantes às dela e chegou a ter embriões congelados. Depois, precisou pagar até pelo descarte do material.
Segundo a artista, a mudança definitiva aconteceu após um procedimento médico. “Fiz cauterização no ovário e, uma semana depois, recebi a ligação do conselho tutelar. Quando me ligaram, eu não tive dúvidas. Decidi não seguir com a inseminação”, relembra.
Hoje, a apresentadora interpreta a maternidade pela adoção como parte de um propósito religioso. “Quando manifestei o desejo de ter um filho biológico, acredito que Deus agiu de forma providencial. Porque todos nós somos adotados; unigênito só Jesus. Para mim, a adoção é algo divino”.
A relação com o próprio pai também moldou sua visão sobre família. Mara contou que foi criada pelo padrasto, a quem considera seu verdadeiro pai, e criticou frases populares que diminuem esse vínculo. “Tem ditados populares que eu abomino, tipo ‘Deus é pai, não padrasto’. Se for necessário ser padrasto, Deus será. O homem que entrou na minha vida foi meu verdadeiro pai. Então, eu sei essa experiência de ser amada, adotada”.
Aos 57 anos, a apresentadora reconhece que a maternidade tardia exige mais fisicamente, mas afirma que a responsabilidade pesa mais do que a idade. “Tem gente muito jovem cheia de energia, mas sem responsabilidade para exercer a maternidade ou a paternidade”, declara.
No fim da conversa, Mara foi direta ao defender a adoção acima de novos procedimentos de fertilização com óvulos de outras mulheres. “Se me perguntarem se acho melhor adotar do que recorrer à fertilização com óvulo de outra mulher, minha resposta é sim”.