Enquanto a evacuação dos cerca de 150 passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius avança nas Ilhas Canárias, diferentes países começaram a definir estratégias próprias para monitorar seus cidadãos expostos ao surto de hantavírus que já deixou três mortos. A operação, coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela União Europeia, trata todos os ocupantes da embarcação como contatos de alto risco.

Estados Unidos e França 

Nos Estados Unidos (EUA), as autoridades tentaram conter o clima de alarme. O diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, Jay Bhattacharya, afirmou neste domingo, 10, que os passageiros americanos evacuados não serão automaticamente colocados em quarentena ao chegarem ao país.

“Isso não é covid”, declarou Bhattacharya. Segundo ele, os 17 cidadãos americanos, todos assintomáticos até o momento, serão levados para um centro especializado no estado de Nebraska. A definição sobre eventual isolamento dependerá de avaliação individual.

Na França, a postura foi mais rígida. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou que um dos cinco franceses repatriados apresentou sintomas durante o voo de retorno. Após o desembarque, todos foram colocados em isolamento.

As autoridades francesas enviaram uma aeronave especial equipada com equipe médica para retirar seus cidadãos no porto de Granadilla, em Tenerife, onde o navio fez parada. O governo também anunciou a publicação de um decreto para formalizar medidas sanitárias adotadas no caso.

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Espanha e Reino Unido

A Espanha, que coordena a operação de desembarque no porto de Tenerife, adotou protocolos de biossegurança semelhantes aos vistos durante a pandemia de covid-19. Passageiros deixaram o navio em pequenos grupos usando trajes de proteção azuis e foram transportados em ônibus adaptados, com barreiras físicas separando motoristas e passageiros.

Antes de embarcarem rumo a Madri, passaram por troca de equipamentos de proteção e desinfecção. Ao chegarem à capital espanhola, serão encaminhados a um hospital militar para cumprir quarentena.

No Reino Unido, cerca de 20 britânicos serão levados ao Arrowe Park Hospital, próximo a Liverpool, onde permanecerão inicialmente em isolamento por até 72 horas. O local já havia sido usado para receber cidadãos evacuados de Wuhan e passageiros do cruzeiro Diamond Princess no início da pandemia de covid-19.

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Segundo o sistema público de saúde britânico, o NHS, todos passarão por triagem de sintomas na chegada. Quem apresentar sinais da doença será transferido para outra unidade hospitalar. A Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido já havia recomendado que os evacuados cumprissem isolamento de 45 dias após o retorno ao país.

Além desses países, Holanda, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Austrália também organizaram voos para retirar seus cidadãos de Tenerife. A Austrália, inclusive, deve enviar uma aeronave na segunda-feira, 11, para buscar não apenas australianos, mas também passageiros de países vizinhos, como a Nova Zelândia.

O próprio navio seguirá posteriormente para Roterdã, nos Países Baixos, onde deverá passar por procedimentos de desinfecção. Parte da tripulação permanecerá a bordo durante o trajeto.

O surto envolve a cepa andina do hantavírus, considerada rara e conhecida pelo potencial de transmissão entre pessoas. Segundo o último balanço da OMS, há seis casos confirmados entre oito suspeitos, incluindo as três mortes registradas até agora. 



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