A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMSP) usou um “corredor polonês” com cacetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para desocupar a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) na madrugada deste domingo (10/5). O prédio foi ocupado por estudantes na tarde de quinta-feira (7/5) em meio à greve motivada pelo aumento do reajuste estudantil.

Os vídeos enviados ao Metrópoles mostram a ação da PM (veja acima), iniciada por volta das 4h15. De dentro da Reitoria da USP, os policiais se organizaram em fila para agredir os alunos que deixavam o prédio. Outra gravação mostra os agentes retirando mesas e barracas montadas pelos estudantes.

Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), dezenas de alunos ficaram feridos e quatro foram detidos. O DCE responsabilizou o reitor da USP, Aluísio Segurado, e o chefe de gabinete, Edmilson de Freitas, pela violência e questionou sobre a ação ter sido realizada sem determinação judicial.


Entenda a greve na USP

  • A principal motivação da manifestação é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil)- política de auxílio socioeconômico da universidade
  • Atualmente, o valor do benefício é de R$ 885 por mês, para alunos que não residem na moradia estudantil, e R$ 330 para os residentes
  • Os estudantes, no entanto, propõem aumento do valor para R$ 1.804, o equivalente à um salário mínimo paulista
  • Em comunicado emitido no dia 29/4, a reitoria informou que não iria acatar o pedido de aumento do auxílio. O documento também encerrou as possibilidades de negociação para esse assunto e para as demais demandas exigidas pelo corpo discente.

Em nota nas redes sociais, o DCE afirmou que a reitoria envergonha a comunidade acadêmica. “Diante de tudo, os estudantes representados pelo DCE livre da USP Alexandre Vansucchi Leme refirmam: nossos passos vêm de longe, nossa história é de luta e não iremos parar por aqui”, diz o texto.

A reportagem procurou a Reitoria da USP e a Secretaria de Segurança Pública e aguarda retorno.

O espaço segue aberto para posicionamentos.

Reitoria ocupada

Durante manifestação na tarde de quinta-feira (7/5), estudantes ocuparam o saguão da Reitoria da USP, em protesto pelo posicionamento da gestão da universidade de encerrar as negociações sobre as demandas cobradas na greve.

O ato se iniciou por volta das 14h. Às 16h, os portões do prédio foram derrubados pelos estudantes da manifestação com apoio dos grupos do movimento estudantil da universidade. Diante da situação, a PM foi acionada.

Com bombas e “corredor polonês”, PM desocupa reitoria da USP - destaque galeria

"Os estudantes começaram a marchar para perto da grade, depois avançaram para a porta de vidro e empurraram ela até cair", afirmou um aluno
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“Os estudantes começaram a marchar para perto da grade, depois avançaram para a porta de vidro e empurraram ela até cair”, afirmou um aluno

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

Durante a ocupação, a PM foi acionada
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Durante a ocupação, a PM foi acionada

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

Polícia Militar agiu para conter a manifestação
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Polícia Militar agiu para conter a manifestação

Reprodução / Ana Vitória Barbosa

Em comunicado, a reitoria não cedeu às exigências feitas pelos estudantes
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Em comunicado, a reitoria não cedeu às exigências feitas pelos estudantes

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

O ato iniciou por volta das 14h, e portões do prédio foram derrubados às 16h pelos estudantes que estavam na manifestação
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O ato iniciou por volta das 14h, e portões do prédio foram derrubados às 16h pelos estudantes que estavam na manifestação

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

Greve na universidade já dura 3 semanas
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Greve na universidade já dura 3 semanas

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

O saguão da Reitoria da USP foi ocupado, em protesto pelo posicionamento da gestão da universidade em encerrar as negociações sobre as demandas cobradas na greve
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O saguão da Reitoria da USP foi ocupado, em protesto pelo posicionamento da gestão da universidade em encerrar as negociações sobre as demandas cobradas na greve

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

A principal motivação da manifestação, é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE
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A principal motivação da manifestação, é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

Alunos ocupam prédio da Reitoria da USP
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Alunos ocupam prédio da Reitoria da USP

Reprodução / Mariana Greco Mantovan

Divergência de opiniões

Na ocasião, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) repudiou o ocorrido, acusando os estudantes de agirem com violência, vandalismo e depredação de patrimônio público.

No comunicado, o órgão afirmou que os atos não são compatíveis com os princípios fundamentais para o bom funcionamento do espaço acadêmico.

Já o DCE, declarou que a ocupação ocorreu de forma pacífica e sem depredação, ao contrário do que acusa a PRIP.

Suspensão das negociações

Na sexta-feira (8/5), o reitor Aluísio Segurado sugeriu acionar a Justiça para desocupar o prédio e descartou o reajuste no auxílio. Segundo ele, a proposta final é elevar o benefício de R$ 885 para R$ 912.

“Estamos no teto, que é R$ 912. Os [outros] programas de bolsas estão aí e podem aumentar muito o valor por estudante”, disse o reitor.

Ele indicou que os alunos podem se inscrever em projetos de monitoria, por exemplo, para aumentar o valor da assistência que recebem.

Segurado disse ainda que os estudantes estavam intransigentes nos últimos dias e diziam que a negociação duraria até que “todas as reivindicações fossem atendidas”, o que, segundo ele, não seria possível.

Para o reitor, o reajuste de R$ 27 no PAPFE já havia atendido à reivindicação de um aluno, que comprovou que o benefício perdeu valor por causa da inflação de 2025. Durante negociação anterior, Segurado diz ter avisado aos alunos que seria inadmissível elevar o auxílio a um salário mínimo, como eles defendiam.

Apesar disso, parte dos estudantes argumenta que o bônus de R$ 4.500 aprovado para professores é a prova de que há verba para melhorar a permanência estudantil. A  aprovação do bônus, segundo eles, mostra que a USP estaria privilegiando uma categoria em detrimento da outra, o que o reitor nega.





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