
O cortisol está em alta. No corpo humano e em pesquisas sobre como domar o mais importante hormônio ligado ao estresse. Em 2026, ele atingiu o pico de buscas na série histórica do Google iniciada em 2004 e virou tema de livros que apresentam os pontos de atenção e estratégias que devem fazer parte do dia a dia de quem quer evitar impactos como ganho de peso, doenças cardiovasculares e danos aos neurônios, que são os riscos aos quais pessoas estressadas estão expostas.
O hormônio do estresse não é um vilão o tempo todo. Ele é liberado quando estamos em situações de perigo e que demandam reações rápidas para sobrevivência. O problema dos tempos atuais é que praticamente todas as pessoas estão vivendo em estado de alerta constante diante das pressões do mercado de trabalho, crises humanitárias, guerras, mudanças climáticas e demais problemas que assolam o mundo.
Não é tarefa fácil, mas não é impossível baixar os níveis de cortisol. O caminho é adotar estratégias que façam parte do dia a dia para poupar o organismo dos efeitos deletérios de estar sempre regido pelo estresse. E muitas medidas são velhas conhecidas de quem busca uma vida saudável.
O psicólogo Armando Ribeiro, especialista em gestão do estresse pela Harvard Medical School, nos Estados Unidos, elenca quatro estratégias para acalmar o estresse e, consequentemente, diminuir o cortisol.
“Ter uma alimentação saudável, praticar atividade física de forma regular, ter sono de qualidade e manter relações sociais já são respostas”, enumera.
A questão das relações sociais pode parecer dissonante, mas as investigações sobre o tema indicam que é mais difícil combater o estresse sozinho.
“Quando se fala em vida social, é porque somos seres sociais. Somos programados para viver em sociedade, mas estamos vivendo muito tempo em rede social e sem socialização de verdade. O que vemos são pessoas com vários seguidores, mas que choram sozinhas em casa”, diz Ribeiro. “Não poder contar com um amigo de verdade é um dos maiores estressores da atualidade.”
Gerenciamento do estresse
O quinto elemento seria o gerenciamento do estresse, mas há um erro comum aqui. Barrar essa reação não significa apenas ficar mais calmo. “As estratégias mais eficazes não são as que tentam ‘desligar’ a resposta à força, mas as que oferecem ao sistema nervoso exatamente esse sinal”, diz a médica Regina Chamon, pesquisadora e autora do livro Desestresse: Ciência e Prática para Uma Vida Mais Leve e Saudável (Editora Manole).
Ela ajuda com exemplos: “Pode ser uma conversa com alguém de confiança, uma prática que nos reconecta ao corpo, um ambiente que nos faz sentir seguros. O caminho é sempre em direção à sensação de que conseguimos lidar com o que está diante de nós.”
Nesse processo, segundo ela, é fundamental não iniciar o controle do estresse apenas quando se atinge o limite. Na rotina, é fundamental fazer pausas dedicadas ao relaxamento, que podem compreender exercícios de respiração, alongamentos e verdadeiras atividades de descanso.
“Confundirmos pausa com distração. Rolar o feed do celular entre uma tarefa e outra não é descanso, é troca de estímulo. A pausa que realmente reduz o impacto do estresse é aquela feita com presença, com intenção de restaurar”, ensina Chamon.
Vale recapitular as cinco estratégias:
- Ter alimentação saudável
- Praticar atividade física de forma regular
- Dormir bem
- Manter relações sociais
- Gerenciar o estresse (de verdade)
Com essas mudanças, é possível diminuir o hormônio que virou tendência e começar as semanas de forma mais leve.