A recente valorização da bolsa brasileira não reflete uma melhora estrutural da economia doméstica. Essa é a avaliação de Felipe Guerra, entrevistado do episódio de estreia do Café com Investidor, parceria do CNN Money com a NeoFeed, exibido nesta sexta-feira (8).

Segundo o CIO e sócio-fundador da Legacy Capital, o cenário global dos últimos dois anos foi marcado por condições financeiras extremamente frouxas, com juros em queda no mundo inteiro e estímulos fiscais em diversas economias, incluindo os Estados Unidos.

“Neste contexto, até o começo do conflito, você via um ambiente de crescimento sólido das economias globais. E nesse ambiente, o Brasil acaba sendo uma alternativa de investimento, porque tinha uma visão otimista com o comércio de commodities”, afirmou Guerra.

Guerra foi enfático ao afirmar que a valorização da bolsa não é resultado de medidas positivas implementadas internamente. “O Brasil não fez nada por merecer essa alta. Na verdade, está em um contexto internacional que favoreceu o Brasil nesse momento”, declarou.

Ele ressaltou que o desempenho brasileiro é semelhante ao de outras bolsas de países produtores de commodities, como Colômbia, Chile e México, todas próximas de suas máximas históricas.

Diante desse quadro, Guerra foi direto ao responder sobre o que aconteceria caso o capital estrangeiro deixasse o país: “Se o estrangeiro for embora, a bolsa cai. Despenca”. Ele acrescentou, porém, que a trajetória dependerá das condições internacionais.

“A gente está no meio de uma guerra. O Brasil acaba se beneficiando por ser um grande produtor de commodities e de alimentos. Entre os países que a gente acompanha, é um dos países que mais se beneficiam com preços de commodities mais altos, tem uma melhora em termos de troca, e isso acaba tornando o Brasil até atraente durante essa guera”, avalia o CIO.

Felipe Guerra destacou que investidores estrangeiros, navegando em meio a incertezas no setor de tecnologia e buscando diversificação, encontraram no Brasil ativos com múltiplos historicamente mais baixos.

“O Brasil nesse contexto tem ativos que diversificam bastante do setor de tecnologia”, afirmou Guerra. Ele pondera, no entanto, que comprar ativos apenas por estarem baratos não é, por si só, uma boa métrica de decisão.

Investidor local recua enquanto estrangeiro avança

Para o investidor local, o cenário é bem menos atrativo. Com a taxa Selic próxima de 15% ao ano e juros reais em torno de 8%, torna-se muito difícil encontrar ações na bolsa brasileira que ofereçam retorno significativamente superior ao CDI. “A gente tem dificuldade de achar a empresa que dá um retorno muito acima do CDI aqui no Brasil”, explicou Guerra.

Já o investidor estrangeiro, que opera com taxas de juros entre 2,5% e 3%, consegue captar recursos a custo baixo e enxergar o Brasil com mais atratividade. O resultado desse movimento tem sido claro:

“A gente só vê resgate em fundo de ações aqui no Brasil nos últimos dois anos e meio ou mais, e a gente vê o estrangeiro comprando aqui quase que constantemente”, disse.

 

 



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