Ciro Nogueira, presidente do Progressista, Senador pelo Piauí, Chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, entre agosto de 2021 e dezembro de 2022, expoente do Centrão, estava no bolso de Daniel Vorcaro. Recebia mesada de 300 mil reais (500 mil?) para ajustar os interesses do banco ao processo político. Foi ele o autor deprojeto de emenda – não aprovado – elevando de 250 mil reais para um milhão a responsabilidade do Fundo Garantidor de Créditos, o que daria mais folga para o banco continuar a vender títulos falsos, cujo prejuízo seriacoberto por outras instituições financeiras. Uma esperteza bancária, coberta por esperteza político-partidário. E tudo isso tem valor. O representante do Piauí cobrou caro, mas foi desmascarado pela Polícia Federal. Está na mira do Supremo Tribunal Federal.

É o escândalo do banco Master e do Banco Regional de Brasília. Um contaminou o outro. Paulo Henrique Costa, que sonhou desembarcar na Faria Lima precedido de boa fama, costumava lembrar que assumiu a presidência do Banco de Brasília depois que a Polícia saiu das dependências da instituição, levando junto dirigentes presos. Ele, que veio da Caixa Econômica Federal, saneou o Banco, uma espécie de tesouraria do governo do Distrito Federal e costumava a agradar o governador e alguns apaniguados. Mas, o BRB, de repente, mudou: começou a anunciar na camisa do Flamengo, ao mesmo tempo criou cartão de crédito com a marca do clube carioca. Foi um sucesso.

Apesar de todos os avisos do Banco Central de que era negócio perigoso, arriscado e cheio de armadilhas, o BRB colocou dinheiro no banco Master. A Polícia Federal mergulhou no assunto. Gente graúda, como o representante do Piauí, aparece nesta investigação que já se tornou embaraçosa até para Ministro do Supremo Tribunal Federal. Camaradagem é algo que não existe nas relações financeiras. Pessoas importantes ganharam muito com as ações da direção do Banco Master. E com a maneira de fazer negócios, impetuosa e debochada, de Daniel Vorcaro. Afagos milionários ocorreram em vários níveis na política.

O Banco Master viveu dos contatos políticos de sua direção. Ele recebeu investimentos de fundos de pensão de funcionários públicos de prefeituras de 18 cidades brasileiras. A mais comprometida delas é a do Rio de Janeiro, cujo instituto de pensões e aposentadorias colocou R$ 970 milhões no banco. O Conselho Consultivo da instituição é um desfile de nomes conhecidos da política nacional. Ricardo Lewandowski deixou o STF em agosto de 23 e ganhou um assento no colegiado. Ficou lá até abril de 2024 quando assumiu o Ministério da Justiça, que mandou prender Daniel Vorcaro, o proprietário do Master, quando ele tentava deixar o país a bordo de seu jato Falcon Dassault.

Durante este tempo foi auxiliado pelo filho Enrique Lewandowski, depois substituído por Viviane Bari. Quem assumiu o lugar de Lewandowski foi Henrique Meirelles, ex-presidente do BC de Lula e ex-ministro da Fazenda de Michel Temer, que também foi contratado por Vorcarocomo consultor. O comitê era formado ainda por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula, e Gustavo Loyola ex-presidente do BC de Itamar Franco e Fernando Henrique. Guido Mantega levou Vorcaro a Lula, em audiência no Palácio do Planalto.

Foram tantas as investidas do banco Master e de seu principal controlador em busca de cumplicidade na Praça dos Três Poderes e na avenida Faria Lima que a operação destinada aprender Daniel Vorcaro e decretar a liquidação do banco chegou a ser considerada impossível. A Polícia Federal agiu bem e rapidamente. O processo está nas mãos do Ministro André Mendonça, terrivelmente evangélico na definição de quem o indicou para o STF, que não parece disposto a minimizar o ocorrido. Ao contrário, coloca as responsabilidades em cada um dos acusados. Esta é a linha de investigação que, se for levada às últimas consequências, desmontará biografias na direita e na esquerda, no governo e na oposição. Paulo Henrique Costa, afastado do cargo, preso, ameaça também com delação premiada. Ele repetiu a história: deixou a presidência do BRB com a Polícia na porta. Mas desta vez, ele foi para trás das grades.

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É assim que funciona na prática o capitalismo no país, apesar da ação das entidades regulatórias do sistema. Tempos atrás o falecido e saudoso senador Severo Gomes (MDB-SP) dizia sernecessário estatizar o Banco Central. Ou seja, proteger o erário da ação predatória dos grandes investidores. A providência é necessária até hoje.



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