Lançado pelo YouTube Health em parceria com Instituto Vita Alere, o manual digital “Comunicação em Saúde Mental & Bem-Estar para Jovens” propõe orientações práticas voltadas a educadores, profissionais de saúde, famílias e criadores de ambientes digitais.

A iniciativa surge da necessidade de construir um ambiente digital mais seguro, responsável e com conteúdos de qualidade para jovens e adolescentes. Karen Scavacini, psicóloga, doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, especialista em prevenção do suicídio e fundadora do Vita Alere, diz que a proposta é apoiar o entorno dos adolescentes, sem estigmatizar e sem colocar jovens vulneráveis em risco.

“Os jovens já estão buscando informação, apoio e pertencimento na internet. Então a pergunta não é mais se devemos falar de saúde mental no digital, mas como fazer isso com segurança, responsabilidade e qualidade”, explica.

O manual apresenta as principais dificuldades existentes no ambiente digital, como a pressão estética, exposição de conteúdo nocivos, uso excessivos de tela, estigmas. E, ao mesmo tempo, propõe recomendações a partir de diretrizes de segurança, ética, diversidade e protagonismo juvenil.

Karen Scavacini explica o impacto de um ambiente nocivo para a formação dos jovens. “A adolescência é uma fase de construção de identidade, autoestima, vínculos e autonomia. Quando um jovem está em sofrimento, isso pode aparecer no sono, na escola, nas relações, no corpo, na forma como ele se vê e até na esperança em relação ao futuro”, diz a especialista.

Ela confirma ainda que a atenção nesta fase do desenvolvimento é dar suporte para o crescimento dos jovens: “cuidar do bem-estar não é ‘mimar’ o adolescente. É criar condições para que ele atravesse essa fase com mais apoio, pertencimento e capacidade de pedir ajuda”.

Scavacini afirma que o manual é uma ferramenta prática, que pode ser usada por professores em rodas de conversa e atividades sobre convivência digital. Já os pais e familiares podem usar o material para observar e conversar com os adolescentes com menos julgamento. Além disso, a manual pode gerar reflexões nos próprios adolescentes para entenderem o que faz sentido para a experiência deles.

Saúde mental e as redes sociais

A psicóloga conta que a exposição a conteúdos sensíveis e violentos pode vulnerabilizar os jovens. Por isso, não podemos naturalizar este tipo de material.

“Muitas vezes esperamos a crise aparecer para agir. Precisamos melhorar a prevenção, a escuta cotidiana, a formação de professores, o apoio às famílias, o acesso a serviços e também a qualidade da informação que circula online”, afirma.

Além disso, a especialista também reforça a importância do acompanhamento por parte dos adultos: “jovens precisam de adultos disponíveis, redes de apoio reais e ambientes digitais menos violentos”.

Recomendações do manual “Comunicação em Saúde Mental e Bem-estar para Jovens”

O material chama atenção para desafios do ambiente digital, como cyberbullying, comparação corporal, desinformação, exposição a conteúdos nocivos e uso excessivo de telas. Por isso, o manual apresenta recomendações baseadas em evidências.

Para isso, Karen Scavacini expõe algumas orientações voltadas aos familiares de adolescentes.

“Observe mudanças de humor, isolamento, alterações no sono, queda no rendimento, irritabilidade, falas negativas sobre o corpo ou uso muito desregulado das redes. Mas observem sem entrar só pelo controle ou pela bronca. Perguntem, conversem, tentem entender o que aquele jovem está consumindo e como aquilo o afeta”, explica ela.

Além disso, quando se trata de produtores de conteúdo, a psicóloga enfatiza outros tipos de recomendações e reforça a seriedade da manutenção da saúde mental.

“O conteúdo precisa de responsabilidade. Nas redes, devemos não diagnosticar, não romantizar sofrimento, não expor histórias sem consentimento, não usar dor como entretenimento e sempre indicar fontes confiáveis de ajuda quando o tema for sensível”, completa.

ECA Digital

O ECA Digital, que entrou em vigor em março deste ano, estabelece regras para a proteção de menores de 18 anos no ambiente digital. Assim como o Estatuto da Criança e do Adolescente tradicional, o ECA Digital propõe a fiscalização também na internet para garantir que os direitos de crianças e adolescentes não sejam violados.

Dentre as mudanças propostas pelo ECA Digital está verificação de idade dos usuários, a proibição de publicidades direcionadas a crianças e adolescentes, o controle parental e vinculação de contas a um responsável, proibição do “feed infinito” para evitar o uso excessivo de telas, a remoção de conteúdos inapropriados que envolvem abuso, violência ou cyberbullying. Além da responsabilização das plataformas digitais.

Para a psicóloga Karen Scavacini, plataformas, Estado, escolas, criadores e responsáveis precisam atuar juntos. “Uma comunicação segura nas redes sociais precisa respeitar faixa etária, reduzir exposição a conteúdos nocivos, combater desinformação, proteger dados e pensar no impacto real que aquele conteúdo pode ter em uma pessoa em desenvolvimento”, explica.

De acordo com ela, a criação do manual vai de encontro com esses objetivos: “precisamos de menos reação tardia e mais cuidado contínuo, nas escolas, nas famílias, nas plataformas e nos serviços”, diz Scavacini.



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