Ler Resumo

Quando Donald Trump venceu a eleição norte-americana em 2024, o ex-presidente Jair Bolsonaro e líderes da oposição no Brasil festejaram o resultado como prenúncio de uma redenção. Havia entre eles a expectativa de que o presidente dos Estados Unidos pressionasse o governo e o Judiciário brasileiros a livrar Bolsonaro da cadeia. Havia também a esperança de que Trump ajudasse um bolsonarista a voltar ao poder em 2026.

Em linha com esse roteiro, o presidente dos Estados Unidos anunciou, no ano passado, um tarifaço às exportações brasileiras numa tentativa de, entre outros objetivos, cessar a suposta perseguição política a Bolsonaro e impedir que o capitão fosse condenado à cadeia por tentativa de golpe de Estado. A gestão Trump também cassou vistos de autoridades brasileiras e aplicou a temida Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, algoz do ex-presidente.

Lula e Trump: os altos e baixos da relação entre os presidentes

Eufórico com as iniciativas, o senador Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato à Presidência, disse a VEJA na época que, se o pai dele não pudesse concorrer em 2026, Trump provavelmente não reconheceria o resultado da votação. Todas as fichas estavam depositadas no líder mundial da direita. A aposta deu errado.

Ajudinha externa

Sem marca e sem rumo em seu terceiro mandato, o presidente Lula aproveitou o tarifaço e as sanções de Trump para unir seu governo em torno da defesa das exportações e da soberania brasileiras. O petista disse que, ao contrário da família Bolsonaro, não se ajoelharia diante dos Estados Unidos. A retórica deu certo, rendeu alguns pontinhos de popularidade, e, desde então, tem sido repetida quando é conveniente.

Continua após a publicidade

Mas Trump também serve de ativo eleitoral a Lula em outra circunstância. Foi o que se viu nos bastidores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quando os dois se conheceram e, segundo relato de ambos, rolou uma química entre eles. Foi também o que ocorreu na quinta-feira, 7, quando o presidente norte-americano recebeu o brasileiro na Casa Branca.

Em ambas as situações, Lula apareceu bem na foto, recebeu elogios, retomou o figurino de negociador global e deu uma esnobada na oposição brasileira, insinuando que Bolsonaro e sua turma têm menos prestígio do que ele com Trump. Numa rede social, o presidente dos Estados Unidos definiu Lula como “dinâmico”, o que cai como uma luva no plano do petista de se mostrar cheio de vitalidade aos 80 anos de idade.

A estratégia é muito simples. Se Trump estica a corda, Lula critica e empunha a bandeira da defesa da soberania. Se Trump acena ao diálogo, Lula deixa de lado a verborragia e posa ator global relevante, papel com que sempre sonhou, mas nunca desempenhou.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *