O chocante caso do estupro de duas crianças de 7 e 10 anos em União de Vila Nova, bairro na Zona Leste de São Paulo, acende um alerta sobre os fatores que levam conteúdos de violência se tornarem espetáculos de barbárie com alto trânsito nas redes sociais. Os autores desse crime brutal, quatro adolescentes e um adulto de 21 anos, disseram ao delegado do caso que estupraram as crianças “por zoeira” e publicaram o vídeo nas redes sociais, espaço em que tiveram grande disseminação.

Um primeiro ponto que explica o “sucesso” desse tipo de conteúdo é o funcionamento do algoritmo. “Publicações com caráter violento geram o maior engajamento nas redes. Os modelos de inteligência artificial das plataformas são treinados por conteúdo dessa natureza”, explica André Fernandes, diretor do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), organização integrante da Coalizão Direitos na Rede (CDR). A ideia do algoritmo é prender os usuários pelo maior tempo possível às plataformas, independente do teor dos conteúdos.

Intimamente ligado a esse primeiro aspecto, está a “fama” de que esses agressores usufruem nas redes sociais quando publicam esses conteúdos. Algo semelhante ocorre, por exemplo, com diversos casos de tortura a animais que são tramitidos em tempo real pelo Discord, o que tem despertado o olhar das autoridades.

“Há um desejo de pertencimento que é explorado. A viralização disso gera uma dessensibilização e um incentivo à reprodução por outros autores”, diz Lisandrea Salvariego, delegada-­chefe do Núcleo de Operação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo. Desde que o caso do estupro das crianças passou a ser investigado, o órgão derrubou mais de noventa páginas que compartilharam o vídeo do crime.

Os desdobramentos do caso de estupro coletivo e o que isso revela sobre a espetacularização da violência nas redes é tema de reportagem de VEJA na edição nº 2994.



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