A aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Terras Raras colocou o Brasil em uma posição estratégica em meio à corrida global por tecnologia, inteligência artificial e transição energética. Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o tema ganhou dimensão geopolítica e passou a ocupar espaço central. Segundo ele, em entrevista ao programa Mercado, a demanda mundial por minerais críticos deve crescer fortemente nos próximos anos, impulsionada por datacenters, carros elétricos e inteligência artificial, justamente em um momento em que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses recursos.

Agostini avalia que o país tem diante de si uma oportunidade rara de transformar riqueza mineral em desenvolvimento industrial. Na visão do economista, o Brasil precisa aproveitar o momento para deixar de atuar apenas como exportador de commodities e avançar na manufatura local, com transferência de tecnologia e produção de itens de maior valor agregado. Ele cita o exemplo do minério de ferro: o país exporta matéria-prima e depois importa produtos industrializados, como trilhos e vagões. Para ele, empresas multinacionais são bem-vindas, desde que tragam investimentos industriais e tecnologia para dentro do território brasileiro.

Apesar do potencial econômico, Agostini faz um alerta sobre o papel do Estado nesse processo. Segundo ele, o governo deve atuar principalmente como regulador e fiscalizador, evitando assumir diretamente a execução dos projetos. O economista comemora que a ideia de criar a Terrabras – uma espécie de agência reguladora – não entrou no relatório da Câmara e critica o excesso de indicações políticas. Agostini defende estruturas mais técnicas para garantir competitividade internacional.



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