A Wiz, corretora de seguros e distribuidora de consórcios, registrou lucro líquido de R$ 39,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 14,6% em relação aos R$ 46,7 milhões apurados no mesmo período do ano anterior.

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Lucas Neves, CEO da companhia, atribuiu parte da queda no lucro líquido a uma mudança significativa na estrutura de gestão da Wiz.

Segundo ele, a empresa reduziu o tamanho do conselho e registrou a saída de executivos que atuavam há muito tempo na companhia.

“A gente teve uma mudança grande na estrutura de gestão da companhia e essa mudança gerou um impacto one time de 6 milhões de reais no resultado desse primeiro trimestre”, afirmou Lucas Neves. Ele acrescentou que o ajuste deve gerar uma economia de R$ 5 milhões por ano nos próximos exercícios.

INSS e desaceleração de crédito pressionam receita

Além dos fatores internos, Lucas Neves destacou que o ambiente externo também pesou sobre os resultados. O executivo mencionou uma desaceleração na originação de crédito dos bancos parceiros e apontou mudanças promovidas pelo governo no modelo de concessão do INSS como elementos que prejudicaram o desempenho da companhia.

“O modelo de concessão através do INSS teve várias paralisações ao longo desse primeiro trimestre, mudanças e melhorias”, explicou. Com isso, o volume de originação de seguros nessa modalidade foi reduzido.

Por outro lado, Lucas Neves sinalizou que enxerga no consignado privado um novo mercado em expansão, capaz de compensar parte dessa retração.

Omni se destaca como ponto positivo

Em meio ao cenário de pressão, a Omni foi apontada como um dos destaques positivos do trimestre. A operação registrou crescimento de 42,9% nos prêmios emitidos em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 93 milhões.

Lucas Neves atribuiu o desempenho a duas estratégias: o aumento no volume de originação de crédito do banco, que possui um modelo considerado anticíclico, e a oferta de produtos customizados para o perfil dos clientes, como assistências voltadas a proprietários de veículos usados e caminhões.

“A gente conseguiu customizar o tipo de cobertura para fazer caber dentro do que o cliente quer e pode pagar”, disse.

Desalavancagem e dividendos reforçam solidez financeira

Lucas Neves também ressaltou o avanço no processo de desalavancagem da companhia. Segundo ele, a dívida líquida da Wiz foi reduzida em R$ 180 milhões ao longo do último ano, saindo de aproximadamente R$ 750 milhões, há dois anos e meio, para R$ 209 milhões atualmente.

Diante desse cenário, a empresa elevou seu payout para 50% e anunciou a distribuição de R$ 100 milhões em dividendos no ano, valor 2,5 vezes superior ao pago no exercício anterior.

“Esse payout que a gente está mudando agora coroa um processo de dois anos e meio”, afirmou o executivo, que garantiu que a companhia seguirá reduzindo a dívida líquida ao mesmo tempo em que distribui mais capital aos acionistas.

Em relação a fusões e aquisições, Lucas Neves disse que a Wiz está atenta a oportunidades, mas adota postura cautelosa diante do cenário de juros elevados e incertezas no ambiente econômico.



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