
O Irã ainda não respondeu à proposta de paz dos Estados Unidos. O silêncio contraria as expectativas do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que espera um retorno até esta sexta-feira, 8. Enquanto isso, as tensões entre os dois países continua nas alturas. Mais cedo, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), unidade militar responsável pelo Oriente Médio, anunciou ter atacado dois petroleiros de bandeira iraniana “descarregados” que tentavam violar o bloqueio naval americano.
Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, condenou “o aventureirismo e o comportamento desonesto” dos EUA. No X, antigo Twitter, Baghaei advertiu que “eufemismos ardilosos e ingênuos como ‘um tapinha leve’ não podem apagar a profunda desgraça nascida do narcisismo, da ganância, do erro de cálculo imprudente e da irresponsabilidade sem lei”.
“As consequências desse aventureirismo caprichoso e desse comportamento irresponsável agora estão claras para o mundo inteiro. Tuítes desconexos e delirantes não têm mais qualquer influência sobre a realidade — embora, como sempre, “’quanto mais se afundam na tolice, mais criativos se tornam para justificá-la’”, acrescentou na publicação enigmática.
Não é, no entanto, o primeiro alerta do país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, ironizou nesta sexta que “toda vez que uma solução diplomática está sobre a mesa, os EUA optam por uma aventura militar irresponsável”. Ele questionou se seria uma “uma tática grosseira de pressão” ou “o resultado de mais um sabotador enganando o POTUS (sigla para presidente dos Estados Unidos) e arrastando-o para outro atoleiro”.
“Sejam quais forem as causas, o resultado é o mesmo: os iranianos nunca se curvam à pressão e a diplomacia é sempre a vítima”, concluiu.
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O que está no acordo?
Entre outras disposições, o memorando envolveria o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio, ao passo que os Estados Unidos suspenderiam sanções, com a liberação de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas no exterior. Ambos os lados concordariam em suspender todas as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, segundo o Axios.
O acordo encerraria a guerra na região, dando início de um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e suspender as sanções americanas — período durante o qual as restrições iranianas à navegação por Ormuz e o bloqueio naval americano seriam gradualmente suspensos. As tratativas adicionais poderiam ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, ou Genebra, afirmou o site.
A duração da moratória no programa nuclear iraniano ainda está em negociação. Na primeira rodada de negociações, em 11 de abril, que terminou em fracasso, os Estados Unidos exigiram uma pausa de 5 anos e o Irã ofereceu 5, proposta já descartada. Agora, segundo o Axios, fala-se entre 12 e 15 anos. Washington, além disso, deseja inserir uma cláusula segundo a qual qualquer violação das normas de enriquecimento prolongaria a moratória, enquanto Teerã poderia enriquecer urânio até o nível baixo de 3,67% após o término da proibição.
No mesmo entendimento, a República Islâmica se comprometeria a jamais ter uma arma nuclear e aceitaria um regime de inspeções reforçado, incluindo visitas surpresa de fiscais das Nações Unidas, segundo uma das fontes consultadas pelo portal americano.