
Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo do Irã, disse nesta sexta-feira, 8, que o Estreito de Ormuz representa “uma oportunidade tão valiosa quanto uma bomba atômica”. A passagem, vital para o comércio internacional de petróleo, está bloqueada por Teerã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o território iraniano.
“Durante anos, negligenciamos o privilégio do Estreito de Ormuz. O Estreito de Ormuz representa uma oportunidade tão valiosa quanto uma bomba atômica”, disse Mokhber, assessor de Mojtaba Khamenei.
“Ter em nossas mãos uma posição que nos permite influenciar a economia mundial com uma única decisão é uma oportunidade significativa”, acrescentou, prometendo não perder “sob nenhuma circunstância as conquistas desta guerra”.
Mokhber também apontou que o regime jurídico da passagem pode ser alterado com base “no direito internacional” ou “na legislação nacional”, se for necessário. A advertência ocorre enquanto o governo do Irã analisa a proposta mais recente dos Estados Unidos para encerrar o conflito entre as nações e reabrir o Estreito.
De acordo com o portal de notícias Axios, um memorando de 14 pontos foi formulado pelo governo americano e encaminhado para ser analisado pelas autoridades iranianas. As disposições abordadas na peça incluíram o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio, a suspensão de sanções por Washington e o fim de qualquer restrição à navegação em Ormuz por ambas as partes.
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O que está no acordo?
Entre outras disposições, o memorando envolveria o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio, ao passo que os Estados Unidos suspenderiam sanções, com a liberação de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas no exterior. Ambos os lados concordariam em suspender todas as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, segundo o Axios.
O acordo encerraria a guerra na região, dando início de um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e suspender as sanções americanas — período durante o qual as restrições iranianas à navegação por Ormuz e o bloqueio naval americano seriam gradualmente suspensos. As tratativas adicionais poderiam ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, ou Genebra, afirmou o site.
A duração da moratória no programa nuclear iraniano ainda está em negociação. Na primeira rodada de negociações, em 11 de abril, que terminou em fracasso, os Estados Unidos exigiram uma pausa de 5 anos e o Irã ofereceu 5, proposta já descartada. Agora, segundo o Axios, fala-se entre 12 e 15 anos. Washington, além disso, deseja inserir uma cláusula segundo a qual qualquer violação das normas de enriquecimento prolongaria a moratória, enquanto Teerã poderia enriquecer urânio até o nível baixo de 3,67% após o término da proibição.
No mesmo entendimento, a República Islâmica se comprometeria a jamais ter uma arma nuclear e aceitaria um regime de inspeções reforçado, incluindo visitas surpresa de fiscais das Nações Unidas, segundo uma das fontes consultadas pelo portal americano.