Em post em suas redes sociais, Donald Trump destacou os temas econômicos discutidos em seu encontro com Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o analista de Internacional Lourival Sant’Anna, a reunião entre os dois líderes representou um dos momentos mais importantes para o Brasil no âmbito das relações comerciais com os Estados Unidos.
Na avaliação de Lourival, a conversa não deve alterar a substância da investigação americana sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas, mas pode impactar o prazo do processo. “Na substância, em princípio, não, mas no prazo, provavelmente, sim”, afirmou o analista durante o CNN Prime Time desta quinta-feira (7).
Segundo Sant’Anna, Lula teria obtido de Trump um prazo adicional de 30 dias para que o Brasil possa apresentar sua defesa ou reiterar argumentos já expostos anteriormente. Esse entendimento estaria subentendido também em publicação feita pelo próprio Trump sobre o encontro.
A investigação americana teve início em julho do ano passado e tem previsão de encerramento em julho deste ano, completando 12 meses. Com o prazo extra, o Brasil ganha tempo para ponderar e continuar negociando, o que, na avaliação do analista, demonstra boa vontade por parte de Trump.
Sant’Anna destacou ainda a composição da delegação americana presente na reunião. “Essa equipe do presidente Trump que estava ali era uma equipe toda econômica e toda técnica.”, observou.
A ausência de Marco Rubio, que representa o Departamento de Estado e é descrito por Sant’Anna como o elemento mais ideológico e mais contrário ao governo Lula, foi considerada favorável ao Brasil. Rubio estava no Vaticano, em encontro com o papa Leão XIV. “Isso foi muito bom para o presidente Lula, porque o Marco Rubio poderia ter trazido questões mais inconvenientes e complicadas”, ressaltou o analista.
No lugar de Rubio, esteve presente Jameson Greer, representante do comércio dos Estados Unidos, que trouxe à mesa as questões ligadas ao protecionismo americano. Entre os temas considerados “irritantes” na relação entre os dois países, Sant’Anna citou o PIX, as patentes, as tarifas e a proteção ao etanol, sobretudo o produzido no Nordeste brasileiro.
“Lula conseguiu essa concessão [de prazo] que foi um dos pontos altos dessa reunião, uma das coisas mais importantes para o Brasil”, avaliou Sant’Anna.