A Porto Seguro registrou lucro líquido de R$ 1,13 bilhão no primeiro trimestre de 2026, resultado que representa uma alta de 36,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total da companhia cresceu mais de 8%, alcançando R$ 10,58 bilhões no período.
A vertical de seguros foi destaque no trimestre, com expansão de 49% no resultado e ROE de 34%. No entanto, as demais verticais — saúde, banco e serviços — responderam por 51% do resultado total da empresa, evidenciando o avanço da estratégia de diversificação do grupo.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Celso Damadi, CFO da companhia, destacou que o bom desempenho da vertical de seguros está diretamente ligado à diversificação interna do portfólio.
“A vertical de seguros hoje é bem diversificada também. O automóvel hoje representa uma parcela significativa da vertical de seguros, mas não como era no passado”, afirmou.
Segundo ele, os ramos de residência, vida, transporte e outros segmentos que não o automóvel vêm crescendo com rentabilidade acima de 30%, com taxas entre 11% e 13%.
Damadi ressaltou que a diversificação para as quatro verticais de negócio tem funcionado de forma consistente.
“Mesmo com um crescimento de 49% no trimestre, a seguradora não representa ainda 50% do nosso lucro. Isso mostra que a nossa diversificação para as quatro verticais de negócio tem funcionado, tem dado certo”, declarou.
Ele acrescentou que ganhos de produtividade e despesas administrativas controladas em um dígito tornam a empresa mais competitiva junto ao canal de corretores.
No que diz respeito ao crescimento de receitas, Damadi explicou que a vertical de saúde tem ocupado um espaço cada vez maior nos resultados.
A companhia alcançou quase 860 mil clientes em saúde e mais de 1 milhão em odontologia ao final do trimestre, totalizando mais de 2 milhões de clientes entre as duas modalidades. O segmento de saúde cresceu 15% no período.
Já o número de corretores vendendo Porto Saúde saltou de menos de mil para quase 9 mil.
A vertical de banco, embora ainda com market share reduzido no mercado, apresentou lucratividade de 25%. Produtos como consórcio registraram crescimento acima de 20% por vários anos consecutivos.
“A gente vem crescendo dois dígitos nos últimos anos, dobramos de tamanho de 2020 para 2025, e 2026 não está sendo diferente”, afirmou Damadi.
Sinistralidade controlada e automóvel no foco
Sobre a sinistralidade, Damadi afirmou que o trimestre foi positivo em todos os ramos — automóvel, residência, vida e transporte. Ele atribuiu o resultado a uma disciplina de precificação, ao trabalho de subscrição, à prevenção a fraudes e ao controle de redes e contratos na área de saúde.
Segundo ele, fatores climáticos como alagamentos e vendavais ocorreram em ritmo menor do que o esperado, contribuindo para o bom índice de sinistralidade no período.
Questionado sobre o papel do seguro de automóvel na companhia, Damadi foi enfático ao afirmar que o ramo segue sendo central para a Porto.
A frota segurada chegou a 6,354 milhões de veículos, com crescimento de quase 200 mil unidades no trimestre. A empresa investiu mais de R$ 300 milhões em tecnologia e experiência do cliente no segmento nos últimos anos, e o NPS do automóvel atingiu 82%.