Denúncias obtidas pela coluna descrevem um cenário de superlotação, precariedade, problemas no atendimento a pacientes e uso indevido dos consultórios para internação no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), em Brasília (DF).

Imagens registradas nesta quinta-feira (7/5), ao qual a coluna teve acesso, mostram pacientes acomodados dentro de salas originalmente destinadas a consultórios médicos, situação que estaria comprometendo o funcionamento dos atendimentos.

Os registros também mostram paredes deterioradas e partes da estrutura do hospital com sinais de desgaste.

Uma mulher, que acompanha a tia internada desde abril, contou à coluna que a familiar deu entrada no pronto-socorro após sofrer uma queda em casa e fraturar o fêmur. Segundo ela, a paciente aguarda cirurgia ortopédica há semanas e permanece sem data de previsão.

“Quando chegamos no hospital, fomos informados que o ortopedista estava em cirurgia e o atendimento só normalizaria na troca de plantão. Chegamos lá às 14h30 e a troca de plantão era às 19h. O corredor do HRT estava lotado, com paciente ensanguentado aguardando atendimento e pacientes sem nenhuma ligação dividindo maca”, relatou.

Ainda segundo a denunciante, a ala feminina destinada à internação estava operando acima da capacidade. “Era um setor com espaço para 12 leitos e tinha 27 macas dos pacientes e os acompanhantes dividindo espaço”, afirmou.

Registros mostram paredes deterioradas e partes da estrutura do hospital com sinais de desgaste

Ela relata também que, devido à falta de estrutura para acomodação dos acompanhantes, algumas pessoas passaram a noite dormindo na mesma cama dos pacientes.

Além disso, homens com tornozeleira eletrônica internados são vistos, constantemente, circulando pelos corredores do hospital sem escolta policial.

Também foram relatadas dificuldades para realização de exames, falta de materiais. demora na realização de procedimentos cirúrgicos e resistência de servidores em informar os próprios nomes durante os atendimentos.

“Funcionários não dão o nome para evitar denúncia na Ouvidoria. Conversei com três ‘Marias’ que não tinham sobrenome. Nenhum médico quer preencher o relatório necessário “porque não querem se envolver”, disse a mulher.

Resposta da Secretaria

Procurada pela coluna, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que, em situações pontuais de superlotação no pronto-socorro e ausência momentânea de leitos, alguns pacientes podem permanecer temporariamente em consultórios enquanto aguardam transferência.

“Essas ocorrências são esporádicas, monitoradas continuamente pelas equipes assistenciais e administrativas, e geralmente solucionadas em poucas horas, com a transferência do paciente para leito apropriado.”

A secretaria também negou a permanência de presos sem escolta no hospital. “Todos os fluxos relacionados à custódia e à segurança seguem rigorosamente os protocolos institucionais e as normativas vigentes”, informou.

Sobre os acompanhantes dormindo nas camas dos pacientes, a pasta afirmou que o pronto-socorro dispõe de poltronas específicas e que os acompanhantes são orientados continuamente a não utilizarem os leitos hospitalares para descanso.



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