Uma confusão envolvendo Ed Motta terminou em acusações de agressão, intimidação e discriminação dentro do restaurante Grado, localizado no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro.

O caso aconteceu no último sábado (2/5) e veio à tona após os proprietários do estabelecimento divulgarem um longo comunicado relatando o episódio.

O início da confusão

Segundo os donos da casa, o chef Nello Garaventa e sua mulher, Lara Atamian, a discussão começou após a negativa de uma cortesia relacionada à taxa de rolha, valor cobrado por restaurantes para servir vinhos levados pelos próprios clientes.

No posicionamento enviado à colunista Luciana Froés, o casal afirmou que um grupo formado por Ed Motta, Diogo Coutinho do Couto, proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta, além de outro homem apontado como primo do empresário, protagonizou uma sequência de episódios violentos no local.

“Durante o atendimento no último sábado, um grupo de clientes composto por Eduardo Motta (Ed Motta), Diogo Coutinho do Couto (proprietário dos restaurantes Escama e Henriqueta) e um terceiro indivíduo, até o momento identificado como seu primo, protagonizou episódios de extrema violência, agressões físicas, intimidação e condutas discriminatórias dirigidas à nossa equipe e aos clientes presentes no local”, diz um trecho da nota.

Recusa em isenção de taxa deu início a briga

Ainda de acordo com os proprietários, após a recusa da isenção da taxa de rolha, integrantes da mesa passaram a constranger funcionários do restaurante.

“Após a negativa de concessão de cortesia da taxa de rolha, integrantes do grupo passaram a dirigir provocações constrangedoras à nossa equipe. As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada. Funcionários foram publicamente expostos ao ridículo, sem possibilidade de resposta.”

O relato afirma ainda que uma cadeira teria sido arremessada contra um garçom que estava de costas. “Na sequência, uma cadeira foi arremessada contra um garçom que se encontrava de costas.”

Os donos do restaurante também relataram que a situação teria se agravado após um esbarrão envolvendo Ed Motta e uma cliente de outra mesa.

“Um esbarrão provocado por Ed Motta em uma cliente de outra mesa derrubou objetos, fazendo com que a situação escalasse e as agressões passassem a atingir também esses clientes. Um deles, que estava sentado, recebeu um soco e, ao se dirigir à saída, teve uma garrafa de vinho, tamanho magnum, intencionalmente arremessada contra sua cabeça, causando sangramento imediato.”

Agressões e prejuízos

No comunicado, os proprietários afirmaram que funcionários tentaram impedir que a confusão tomasse proporções ainda maiores. “A postura firme e profissional de nossa equipe, que tentou conter as agressões utilizando o próprio corpo como escudo, foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves.”

Segundo a versão apresentada pelo restaurante, os envolvidos deixaram o local antes da chegada da polícia. “Os agressores deixaram o estabelecimento antes da chegada da polícia, acompanhados por um indivíduo associado ao Sr. Diogo Coutinho do Couto, que dirigiu ameaças aos presentes e insinuou estar armado.”

O casal ainda afirmou que o episódio provocou impactos físicos, emocionais e financeiros no estabelecimento. “Os episódios causaram danos físicos, emocionais e materiais relevantes. Vidas foram colocadas em risco e, por consequência, a própria continuidade do restaurante.”

Ao justificarem a decisão de tornar o caso público, os proprietários disseram que optaram por não permanecer em silêncio.

“Ainda estamos nos recuperando dos acontecimentos e buscando minimizar seus impactos negativos. Refletimos profundamente antes de tornar os fatos públicos, mas entendemos que o constrangimento e os danos decorrentes desses episódios não nos pertencem, e sim aos agressores. Decidimos não adotar o silêncio por receio reputacional. Nossa obrigação é proteger nossa casa, nossa equipe e nossos clientes, a quem devemos todo o sucesso de um restaurante construído com muito trabalho ao longo de quase uma década.”

Ed Motta rompe silêncio após pancadaria em restaurante no Rio - destaque galeria

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Reprodução/redes sociais.

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O que disse Ed Motta

Após a repercussão do caso, Ed Motta falou sobre o episódio e reconheceu que perdeu o controle durante a discussão.

Em entrevista ao jornal O Globo, o cantor afirmou que a situação “não está bem contada” e negou ter atacado qualquer funcionário.

“Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso”, declarou o artista.

O músico afirmou ainda que deixou o restaurante antes do momento em que a briga teria escalado envolvendo outras mesas. Segundo ele, a discussão começou após clientes tentarem pedir desculpas pela situação.

“Eu fui embora e começou uma confusão entre as pessoas que ficaram na minha mesa e a outra mesa que estava no restaurante. A minha mesa se desculpou várias vezes por minha atitude errada e excesso de raiva, que foi provocado por eu ser cliente deles há muitos anos e nunca ter sido cobrado por essa taxa de rolha. Nunca tinham feito essa cobrança. Sou cliente deles desde o começo do restaurante, já levei milhares de pessoas lá e nunca tinham me cobrado isso. Um dos funcionários olhava para a mesa com cara de ironia e prazer por aquele estresse estar acontecendo. Me irritei com tudo aquilo, joguei a cadeira no chão e fui embora”, afirmou.

Na sequência, Ed Motta também alegou que pessoas da outra mesa teriam iniciado novas ofensas durante a tentativa de retratação feita por seus amigos.

“Depois que eu fui embora, eu fiquei sabendo que quando a minha mesa foi pedir desculpas à mesa ao lado, esta mesa começou a ofender a minha, que inclusive tinha uma senhora, mãe de meu amigo, Nicolas, de São Paulo. Então, começou uma confusão entre eles. Foram as pessoas na mesa ao lado que ofenderam meus amigos, inclusive com ofensas homofóbicas, chamando meu amigo de ‘viado’, e xenofóbicas, mandando ele voltar para a Arábia.”



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