Cerca de 1.600 navios ainda estão presos perto do Estreito de Ormuz, com companhias de transporte enfrentando uma situação cara e arriscada, buscando oportunidades para deixar a hidrovia há mais de dois meses.
A operação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para “guiar” os navios através do Estreito por meio do “Projeto liberdade” durou apenas 48 horas. Apenas dois navios conseguiram passar.
Agora, as empresas de transporte e os marinheiros retidos estão novamente sem uma rota segura de saída, sem querer correr o risco da travessia. Apesar do cessar-fogo, mísseis continuam a sobrevoar a hidrovia de 34 quilômetros.
“Somente um verdadeiro acordo de paz, demonstrado e comprovado, conquistará a confiança da comunidade de transporte marítimo comercial”, disse Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles.
Seroka, que trabalhou por cinco anos para a grande empresa de transporte marítimo American President Lines no Oriente Médio, afirmou não ter conversado com um único executivo do setor disposto a transferir a carga e equipe, mesmo em conjunto com as forças armadas americanas.
Há mais de dois meses, as empresas de transporte marítimo buscam maneiras para deixar o Estreito. Em condições normais, 120 navios transitam pelo Estreito de Ormuz todos os dias, transportando 20% do suprimento mundial de petróleo.
Agora, permitir a saída dos navios colocaria em risco tanto a carga quanto as pessoas. Qualquer dano a um navio multimilionário acarretaria prejuízos financeiros e logísticos para as empresas. As seguradoras possuem cláusulas de guerra nos contratos que as isentam de cobrir navios presos em meio a um conflito. Portanto, movimentar navios sem esse respaldo financeiro corre o risco de ser extremamente caro também.
O governo Trump contatou diversas empresas de navegação a respeito do “Projeto Liberdade” para oferecer os serviços, compartilhou o secretário de Estado Marco Rubio na terça-feira (5). Poucas aceitaram a oferta.
A gigante dinamarquesa de navegação Maersk confirmou na segunda-feira (4) que seu navio foi um dos dois escoltados para fora do Estreito de Ormuz pelas Forças Armadas dos EUA. A embarcação estava “impossibilitada de deixar” o Golfo Pérsico desde o início dos combates em fevereiro, informou a empresa à CNN em um comunicado.
Um total de 10 navios, incluindo os dois escoltados pelas Forças Armadas dos EUA, passaram pelo Estreito de Ormuz na segunda-feira (4), de acordo com a S&P Global Commodities at Sea.
A Hapag-Lloyd, outra importante empresa de navegação, disse à CNN na quarta-feira (6) que havia considerado a possibilidade de utilizar as Forças Armadas dos EUA para retirar os quatro navios restantes do Estreito antes da suspensão do “Projeto Liberdade”.
Trinta e dois navios foram atingidos por mísseis desde o início da guerra, resultando em 10 mortes e pelo menos uma dúzia de feridos, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI).
A OMI continua a pedir para os navios “exercerem máxima cautela” e destaca que “escoltas navais não são uma solução sustentável a longo prazo”.
Os Estados Unidos e o Irã estão cada vez mais perto de um acordo para pôr fim à guerra, declarou à CNN na quarta-feira (6) uma fonte regional familiarizada com as negociações.
Após Trump anunciar a suspensão do “Projeto Liberdade”, o Irã afirmou que a passagem segura pelo Estreito de Ormuz é possível sob “novos procedimentos”. O Irã criou a Persian Gulf Strait Authority, que regulará a passagem pelo Estreito, incluindo a cobrança de pedágios, segundo a emissora estatal iraniana Press TV.
Os Estados Unidos já haviam alertado que o Irã não tem autoridade para controlar a hidrovia.
Ainda assim, deixar o Estreito de Ormuz, mesmo com um guia militar americano, exige uma “avaliação muito específica” por parte das empresas de navegação, de acordo com Seroka.
“Elas precisarão ter muito mais confiança na segurança da passagem pelo Estreito antes de darem esse passo”, sinalizou ele.